Reflexão sobre a carreira TDT

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Reflexão sobre a carreira TDT

Mensagempor zuppara em Domingo, 21 Fev 2010 14:12

Decidi abrir este tópico para que se possa reflectir sobre a carreira TDT e o que seria ideal para cada um de nós, tentando debater ideias e trocar conhecimentos.

No meu caso deixo aqui traçado o que considero importante para a actualidade e o futuro dos TDT. Sei que não vou reunir consenso, mas também não o espero fazer. Lanço apenas uma hipótese que pode e deve ser criticada construtivamente.

Antes de dar início a este artigo gostaria de referir que este reflecte unicamente a minha visão e perspectiva, não estou coligado a nenhum partido político, associação ou sindicato.

As tecnologias da saúde encontram-se em negociação; embora arrastada pelo Ministério da Saúde (MS) para a revisão da sua carreira. Isto é bastante positivo e muito se poderá fazer a partir daqui, farei, portanto, uma reflexão construtiva sobre o que poderá ser feito para melhorar toda a classe.

Algo que considero bastante mesquinho e medíocre passa por tentar mudar o nome genérico da carreira ou seja incluir a palavra “superior”, para que se obtenha, assim quase que automaticamente, um suposto reconhecimento e estatuto. Coisa que não vai acontecer, mesmo que os TDT sejam incluídos numa classe única com TSS, serão sempre discriminados e vistos com conhecimentos limitados. Isto porque partem em desvantagem por serem de politécnicos, mas também porque actualmente e ao longo dos anos foram discriminados face a determinados cursos TSS.

O reconhecimento alcança-se através do rigor, exigência, resultados e do tempo, nunca através da proposta de alteração de “status” ou de convenções.
Se queremos ter reconhecimento, temos de apostar e ousar em fazer mais e melhor: ir mais longe com a formação e alterar a forma como a carreira neste momento está estruturada; premiar o mérito, o sucesso e o esforço de quem mais estudou, oferecendo a estas pessoas um estatuto próprio, diferente daqueles que preferiram ficar-se com o curso base.

A formação

Ora começando pela base, a fusão de cursos é uma das melhores ideias, quanto menos específico for o curso, maiores saídas poderá proporcionar e reduzirá o número de vagas nas escolas. Esta redução de vagas é importante para o mercado ter tempo de escoar e para que não se enganem as pessoas a médio e longo prazo.

No relatório final do Ministério da Saúde, que embora final precisa de muitos retoques, existe uma proposta de fusão para vários cursos. A proposta actual de fusão é a seguinte:

•Análises Clínicas + Anatomia Patológica – Ciências Laboratoriais
•Cardiopneumologia + Neurofisiologia – Ciências Fisiológicas
•Radiologia + Radioterapia + Medicina Nuclear – Ciências Radiológicas

O facto de, estes cursos, virem a sofrer fusão não deve abrir portas para que os técnicos actuais possam andar a saltar para áreas onde não tiveram uma formação base. Ou seja, técnicos de análises a andar em laboratórios de anatomia patológica e vice-versa. Os profissionais com cédula profissional devem ter a oportunidade de se candidatar aos novos cursos criados e pedirem equivalências para que possam ficar devidamente habilitados para trabalhar em ambos os ramos. Os antigos profissionais poderão sempre aceder através do programa “Maiores de 23”.
Não sei até que ponto, outros cursos não poderiam sofrer uma fusão, mas é uma questão de estudar caso a caso, estudando também cursos que estão fora dos TDT e se encontram desregulados.

Se voltarmos ao passado, mais especificamente a 1977, verifica-se que existiam profissões reguladas que hoje não estão. É o caso da Ergonomia e da Optometria, ver Decreto regulamentar n.º 87/77 de 30 de Dezembro.
Contudo, ao não regular as profissões permite-se a existência de alguns focos selváticos no sector da saúde, mas também no ensino superior que forma pessoas para o desemprego, pois não existe mercado ou então está ocupado por quem não tem habilitações.
A Ergonomia, Gerontologia, Marketing Farmacêutico e Optometria devem ter uma resposta por parte do Governo e serem conduzidos para uma classe, de forma a proteger os seus interesses e determinar em que áreas estes cursos podem intervir e até que ponto, para evitar conflitos com outros cursos, como é o caso da Optometria vs Orptótica.
Quanto ao facto de que a Podologia e a Reabilitação Psicomotora poderem a vir ser regulados, isso é bastante positivo, independentemente de ficar como TDT ou TSS – uma vez que já estão regulados noutros países.

Outro passo a dar na questão da formação passa pela criação de especialidades, que devem ser mestrados, tendo no mínimo dois anos de formação e o seu acesso ser exclusivamente para TDT’s ou quando muito para quem detenha o curso de medicina ou de ciências farmacêuticas, nunca a cursos da área das ciências, pois então a concorrência torna-se avassaladora e desleal, uma vez que os TDT não podem exercer na área das ciências.
A grande vantagem das especialidades é que acarreta mais competências por parte do técnico e é claro um reconhecimento das suas capacidades a médio e longo prazo.
Um internato no final do curso e ainda um exame de acesso à profissão são coisas que devem ser bem ponderadas, pois poderão, assim, melhorar a qualidade dos profissionais formados e diminuir a actual discriminação entre quem é formado no ensino público e no ensino privado.
Por fim, um ponto muito importante deverá ser a estandardização das provas específicas de acesso e das cadeiras estruturais dos cursos. O que quero dizer é que o curso A, deve ter as mesmas cadeiras fulcrais, quer na escola 1 quer na escola 2, sendo que as únicas variáveis sejam as ditas cadeiras de cultura geral, que deverão ficar a cargo de cada escola.

Síntese da formação:

Imagem


Carreira


A formação deve ser valorizada na carreira e deverá ser tida em conta uma discriminação. Quem estuda mais deve ser mais valorizado. Tendo esta perspectiva em conta, na minha opinião deveria dividir-se a carreira em 3 pontos distintos:

• Técnicos Generalistas
• Técnicos Especialistas
• Técnicos Séniores

Os técnicos generalistas seriam compostos por um grau igual ou inferior à licenciatura, existiram por sua vez os Técnicos (Generalistas) de 2ª classe, Técnicos (Generalistas) de 1ª Classe e os Técnicos (Generalistas) Principais.

Dentro dos Técnicos Especialistas ocorreria uma carreira similar que iria desde o Técnico Especialista de 2ª Classe, Técnico Especialista de 1ª Classe e por fim ao Técnico Especialista Principal. O acesso à especialidade estaria pendente de uma experiência mínima de dois anos e de um mestrado reconhecido junto do Conselho das Profissões.

Quanto aos Técnicos Séniores, o acesso seria condicionado por um número mínimo de anos de carreira e da detenção de um mestrado em gestão. Dentro destes existira o Técnico Coordenador e o Técnico Director.

Convém não esquecer a avaliação dos técnicos, pois não são mais nem menos do que os professores, médicos ou enfermeiros. A avaliação é necessária, especialmente aquando da transição de escalão. Essa avaliação deverá ser negociada, tendo bom senso, especialmente por parte dos sindicatos que não podem querer eliminar isso, é preciso saber distinguir bons funcionários dos maus. E os bons merecem ser distinguidos subindo na vida, em vez de estarem sempre ao mesmo nível dos maus que subiram por artimanhas e sem grande esforço.

Quanto aos técnicos antigos, que ainda se encontram à espera da cédula, deverá ser ajustado um plano que possa atribuir-lhes a respectiva, sendo determinante, o factor de idade mínima para impedir que haja fraudes e possivelmente, a sujeição a um exame “ad-hoc” junto de uma Escola Superior de Saúde da sua zona.

Síntese da carreira:

Imagem


O Conselho das Profissões

Infelizmente esta temática parece ficar de fora das propostas dos sindicatos e não deveria, assim como a revisão da legislação que deveria prever sanções para as irregularidades.
O Conselho das Profissões a ser constituído, deveria manter reuniões quinzenais ou mensais, para discutir o ponto de situação e quais os avanços já então realizados. Seria constituído pelos quatro sindicatos representativos da classe TDT; o SCTS; o SFP (Sindicato dos Fisioterapeutas Portugueses); SIFAP e SINDITE; um representante do Ministério da Saúde; um representante do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e finalmente um representante dum órgão de inspecções — ainda por determinar se o IGAS ou a ERS. A participação de associações representativas das profissões poderá ser proposta ou facultativa.
Este órgão deverá definir um código deontológico e ético, prevendo punições para as suas violações.

A não esquecer: quando ocorrer a revisão de carreira, tanto dos TDT como TSS, seria bom que ficasse claro quem faz o quê e quais os limites de actuação das diversas profissões. Seria ainda melhor que estivessem previstas sanções para: o trabalho não qualificado; a usurpação de funções; concursos públicos forjados; o tráfico de influências; as fraudes no que concerne aos contratos; a falta de higiene e segurança das instalações e para finalizar o combate aos recibos verdes ilegais. Sem no entanto esquecer de aplicar estas regras de forma igual para o sector público e privado, munindo, para esse efeito, o IGAS de novos poderes tal como ocorre na ASAE que pode desde admoestar, multar ou mesmo encerrar instalações.
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Re: Reflexão sobre a carreira TDT

Mensagempor Ed Costa em Domingo, 21 Fev 2010 16:02

zuppara:Felicito-o pelo projecto apresentado e, não me pronunciando para já sobre a primeira parte, expresso a minha concordãncia com a segunda ( Conselho das Profissões ), para o que no fundo apenas era necessário pô-lo a funcionar pois, a generalidade do que alvitra, já está prevista no esboço de Estatuto constante dos artigos finais do 320/99.
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Re: Reflexão sobre a carreira TDT

Mensagempor lucasfarm em Segunda, 22 Fev 2010 22:54

Ex.mos,
Apos a leitura da reflexão, existem pontos em que concordo e outros pontos em que não estou em acordo.
Relativamente à mudança do nome das várias profissões acho que ja é um passo para a modificação de como estas profissões são vistas...por isso acho, que seria bom a abolição da palavra "Técnico" no nome de cada uma das profissões, pois a palavras "Técnico" da a noção que temos um curso profissional de 12.º ano.

Outra coisa que acho correcto é acrescentar a particula "Superior", mas era ainda melhor a integração nos TSS, pois é o que na realidade somos, somos profissionais superiores de saúde...por muito que não nos queiram admitir.

Actualmente, com o processo de bolonha nas Universidades/Institutos Politécnicos surgui para combater as diferenças existentes e para igualar o ensino/formação E atenção que podemo-nos dar al luxo de dizer que a nossa licenciatura é de 4 anos, enquanto a de determinados profissionais concorrentes são de 3 anos. Ex: Farmácia - 4 anos licen, sendo k com mais 2 anos de mestrado = 6 anos; Ciências Farmacêuticas - 3 anos licen + 2 anos mestr.

Como eu sou de estudante de Farmácia tenho uma opinião relativamente a este assunto conflituoso: Apoio a 100% a alteração do nome de Técnico de Farmácia para Farmacoterapêutas, mas esta mudança também deve ser acompanhada de uma adequação da profissão e com pontos de actividade distintas da dos Farmacêuticos. Em alguns paises existem estes Farmacoterapêutas, as suas actividades, compreendem por exemplo a Farmácia Clínica nos Hospitais e o Seguimento Farmacoterapêutico nas Farmácias Comunitárias. Acho que sendo assim devemos seguir a seguinte diferença: Farmácia = saúde + medicamentos ; Ciências Farmacêuticas = ciências + medicamentos.

Sei que esta é uma opinião que quase de certeza vai causar muitas discordancias, mas é mais uma opinião e todas devem ser reflectidas, e por isso é que este tema foi inserido no forum.

Também concordo quanto à junção dos cursos que se descreveram acima.

Quanto ao resto ainda nao me sinto muito à vontade para falar/comentar pois ainda não estou no mundo do trabalho.

Com os melhores cumprimentos,
Luís Carlos de Oliveira
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Re: Reflexão sobre a carreira TDT

Mensagempor olinda em Terça, 23 Fev 2010 14:44

Bom trabalho Zuppara!
Concordo com muito do que disseste, mas também sou do voto que tevemos estar incluídos nos Técnicos Superiores, também temos licenciatura!
Já chega de sermos descriminados!
Olinda Dias
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Re: Reflexão sobre a carreira TDT

Mensagempor jose carlos dantas em Quarta, 17 Mar 2010 16:51

Penso que a lei actual é que melhor enquadra os TDT, do ponto de vista laboral, se vejamos o seguinte:
Se os mentores de uma nova categoria, onde englobam os licenciados, e não licenciados, numa carreira superior única, vem descreminar, quem é detentor de uma licenciatura, obtida numa universidade, dando como exemplo "os farmaceuticos", que é bem diferente de uma licenciatura obtida num instituto politécnico.
Não queiram ser mais papista do que o papa...
Estão muito bem assim.
Devemos privilegiar quem teve mais esforço no seu percurso escolástico.
Sejam humildes, não queiram ser mais do que afinal são.
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Re: Reflexão sobre a carreira TDT

Mensagempor luis0martins em Quarta, 17 Mar 2010 21:47

bem diferente de uma licenciatura obtida num instituto politécnico


completamente diferente... nem sei pq chamam licenciatura aos diplomas do politecnico
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Re: Reflexão sobre a carreira TDT

Mensagempor jose carlos dantas em Quinta, 18 Mar 2010 10:23

Excelente questão para debater no forum.
Luis Martins.

"Porque chamam licenciados aos diplomados do politecnico".
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Re: Reflexão sobre a carreira TDT

Mensagempor RAM em Quinta, 18 Mar 2010 15:27

jose carlos dantas Escreveu:"Porque chamam licenciados aos diplomados do politecnico".

:shock:

Porque os cursos ministrados têm uma carga curricular de 180 a 240 ECTS
Porque os Institutos Politécnicos são Instituições em muitos casos mais credíveis que algumas Universidades Privadas
Porque os alunos das licenciaturas politécnicas integram perfeitamente o mundo do trabalho, bem como evoluem em Mestrados e Doutoramentos nas Universidades

Lá vai começar outra discussão acerca do sexo dos anjos... [-o<
Quando estiveres desesperado(a), fecha os olhos, respira fundo, e grita "M€€€€®£@@@@"

Um Abraço
Augusto Ramoa
RAM
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Re: Reflexão sobre a carreira TDT

Mensagempor zuppara em Quinta, 18 Mar 2010 17:44

Eu acho que o luis0martins está a ser irónico...
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Re: Reflexão sobre a carreira TDT

Mensagempor jose carlos dantas em Quinta, 18 Mar 2010 18:01

Há mais diferenças entre politécnicos e universidades, nomeadamente no que toca à qualificação do corpo docente. Na Faculdade de Ciências da Univ. Lisboa há departamentos com 90% de doutorados a leccionar...em muitos politécnicos apanham-se pessoas que não têm mais que uma licenciatura...tirada num politécnico. Mais, as universidades produzem muito mais investigação científica, pois essa é também uma das suas missões. Há mais diferenças práticas, especialmente no que concerne ao grau de exigência dos cursos...vem-me à memória os fracos cursos de engenharia do politécnico de Setúbal...
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Re: Reflexão sobre a carreira TDT

Mensagempor carina grande em Quinta, 18 Mar 2010 20:13

Claro que há diferenças, mas já que fala em engenharia, que afinal são os mesmos cursos e o mesmo numero de anos nao me parece que um engenheiro do politecnico do porto seja mais fraco que um da universidade do porto.

e ao chegar um de cada lado para emprego, o do politecnico tem media 17 e tirou o curso em 5 anos e o da universidade tem media 10 e andou lá 7 ou 8. qual deles escolhe? o de 10 porque andou na universidade?

concordo que haja diferenças, mas acha que um biologo ou um farmaceutico tem instruçao para preparar uma transfusão sanguinea ou interpretar um painel de pesquisa de anticorpos irregulares, que muitas vezes não e nada linear?

cada profissão deve ter o seu devido valor e quando se é detentor do mesmo grau academico porque é que uns devem ser considerado superiores e chamados de sr. dr. e outros não.

Apesar de que pessoalmente lhe digo, que para mim, ser técnica de análises clínicas ou técnica superior de saúde me é completamente indiferente, porque não é o título que faz a pessoa, é a pessoa que faz o título.
A base do conhecimento está em querer conhecer!
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Re: Reflexão sobre a carreira TDT

Mensagempor lilipat em Sábado, 20 Mar 2010 15:05

carina grande Escreveu:Claro que há diferenças, mas já que fala em engenharia, que afinal são os mesmos cursos e o mesmo numero de anos nao me parece que um engenheiro do politecnico do porto seja mais fraco que um da universidade do porto.

e ao chegar um de cada lado para emprego, o do politecnico tem media 17 e tirou o curso em 5 anos e o da universidade tem media 10 e andou lá 7 ou 8. qual deles escolhe? o de 10 porque andou na universidade?

concordo que haja diferenças, mas acha que um biologo ou um farmaceutico tem instruçao para preparar uma transfusão sanguinea ou interpretar um painel de pesquisa de anticorpos irregulares, que muitas vezes não e nada linear?

cada profissão deve ter o seu devido valor e quando se é detentor do mesmo grau academico porque é que uns devem ser considerado superiores e chamados de sr. dr. e outros não.

Apesar de que pessoalmente lhe digo, que para mim, ser técnica de análises clínicas ou técnica superior de saúde me é completamente indiferente, porque não é o título que faz a pessoa, é a pessoa que faz o título.


Concordo :)
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Re: Reflexão sobre a carreira TDT

Mensagempor lilipat em Sábado, 20 Mar 2010 15:06

E sabes, há biologos e bioquimos com quem trabalho que me perguntam se o meu curso é licenciatura...a maioria nem conhece os nossos programas nem sabem que tipo de formação temos.
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Re: Reflexão sobre a carreira TDT

Mensagempor luis0martins em Domingo, 21 Mar 2010 00:34

zuppara Escreveu:Eu acho que o luis0martins está a ser irónico...

E achas bem!

Se a nossa licenciatura vale menos, porque é que as propinas também não são mais baratas?!?!?!

E porque é tenho que fazer exames nacionais?! Ao menos os exames nacionais podiam ser também diferentes... puzzles de Lego... ou aquele teste: A vaca faz? Muuuuuuuuuuu!

Não tou a dizer que não existem diferenças entre uma Universidade e um Politécnico. É obvio que existem! Mas também existem diferenças entre vários tipos de cursos universitários. Mas algo totalmente diferente é passar um atestado de incompetência a profissionais, ou dizer que estão limitados pois são licenciados de politécnico, quando efectivamente o problema é um conflito entre profissões com áreas de actuação sobrepostas!

A minha profissão, Ortóptica, por exemplo em frança, Itália ou Inglaterra é um curso ministrado numa Universidade, nos Estados Unidos, é um curso ao qual só têm acesso pessoas que já concluiram um curso universitário.

E o nosso curso em Portugal é reconhecido pelas associações internacionais de Ortóptica!

fica aqui um exemplo:
http://www.sheffield.ac.uk/medicine/research/sections/oncology/ophthalmology-&-orthoptics
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Re: Reflexão sobre a carreira TDT

Mensagempor lilipat em Domingo, 21 Mar 2010 19:55

luis0martins Escreveu:
zuppara Escreveu:Eu acho que o luis0martins está a ser irónico...

E achas bem!

Se a nossa licenciatura vale menos, porque é que as propinas também não são mais baratas?!?!?!

E porque é tenho que fazer exames nacionais?! Ao menos os exames nacionais podiam ser também diferentes... puzzles de Lego... ou aquele teste: A vaca faz? Muuuuuuuuuuu!

Não tou a dizer que não existem diferenças entre uma Universidade e um Politécnico. É obvio que existem! Mas também existem diferenças entre vários tipos de cursos universitários. Mas algo totalmente diferente é passar um atestado de incompetência a profissionais, ou dizer que estão limitados pois são licenciados de politécnico, quando efectivamente o problema é um conflito entre profissões com áreas de actuação sobrepostas!

A minha profissão, Ortóptica, por exemplo em frança, Itália ou Inglaterra é um curso ministrado numa Universidade, nos Estados Unidos, é um curso ao qual só têm acesso pessoas que já concluiram um curso universitário.

E o nosso curso em Portugal é reconhecido pelas associações internacionais de Ortóptica!

fica aqui um exemplo:
http://www.sheffield.ac.uk/medicine/research/sections/oncology/ophthalmology-&-orthoptics


Não podia concordar mais...
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Re: Reflexão sobre a carreira TDT

Mensagempor zuppara em Domingo, 21 Mar 2010 22:51

A questão da legislação promiscua, já foi levantada no relatório de grupo do MS, é preciso definir o lugar de cada profissão, sejam elas TSS ou TDT, para que não haja sobreposição de funções. Daí que eu também defendo que façam alguma coisa com as profissões não reguladas, não adianta, clarificar as funções das profissões reguladas quando as não reguladas vão continuar a fazer sobreposição de funções, porque obviamente estão desreguladas perante a lei...

Agora está tudo nas mãos dos sindicatos, pois o MS parece não se importar muito de melhorar a legislação, o meu receio é se vão começar por debater salários da função pública e depois esquecem o mais importante.

Há muita coisa possível de melhorar entre os TDT tal como eu sugeri no tópico é preciso é que haja vontade e empenho.
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Re: Reflexão sobre a carreira TDT

Mensagempor linapeixoto em Segunda, 22 Mar 2010 10:32

Caro colega Zupara, embora raras vezes participe no Fórum, duas razões que motivam a faze-lo pontualmente:
a) A necessidade de esclarecer e ou repor algumas questões menos esclarecidas;
b) Comentar ideias que, no meu ponto de vista, acrescentam reflexões positivas às nossas ansiedades.

Neste caso é a segunda questão que me motiva.
Não por razões de apologia ao Sindicato a que pertenço com orgulho, o SCTS, antes porque entendo que este Fórum deve servir para reflectir e não para fazer publicidade a organizações sindicais como faz o colega Ed Costa.

Postas estas primeiras questões, com base na informação que o meu Sindicato me fornece, gostaria de lhe dizer que a generalidade das suas ideias estão contempladas nos projectos do SCTS.

Dou-lhe desde já um exemplo, rectificando uma sua afirmação: não existe qualquer relatório final do Ministério da Saúde sobre a revisão das carreiras de TDT e TSS, antes um relatório de um grupo de trabalho que a Ministra da Saúde não subscreve.

Nesta linha de esclarecimento, também as questões dos clusters de ciências laboratoriais / biomédicas, ciências fisiológicas e ciências radiológicas, entre outros, não faz parte do referido relatório, antes sim de propostas do SCTS, bastando para tal consultar o respectivo site.

Claro que tais propostas do SCTS resultam de inúmeros debates e reuniões com colegas, escolas, associações profissionais, sindicatos, etc., facto pelo qual qualquer que seja a nossa orientação ideológica, aconselha a que estejamos sindicalizados, dado os sindicatos serem pilares de democracia e desenvolvimento.

Dúvidas sobre o que afirmo? Provavelmente sim. No entanto nós, latinos, temos por hábito criar referências em relação aos nórdicos e, isso, leva-me a dizer-lhe e perguntar-lhe: porque razão a taxa de sindicalização média nos países nórdicos ultrapassa os 75% e, em Portugal, não chega aos 25%? Porque será que, com esta realidade, e mesmo assim, o modelo de desenvolvimento defendido pelo SCTS para as nossas profissões é seguido pelos nórdicos? Se souber, por favor, responda-me.

Quanto às questões carreira (s) e o Conselho das Profissões, também aqui importa atentar nas propostas formuladas pelo SCTS ao longo dos últimos anos, dado estas mesmas questões, não serem estáticas.

Matérias como as categorias, reconhecimento do mérito, a emergência de novas profissões, etc., têm já um consenso razoável.

No entanto colega, embora eu tente acompanhar todas as questões da minha e das outras profissões, não tenho dúvida que as mudanças são tão rápidas que, a nós, enquanto profissionais de saúde comuns, pouco mais nos resta do que apresentar ideias e acreditar que os sindicatos são capazes de realizar os nossos objectivos.

Chegada a este momento de reflexão com o colega, partilhamos uma preocupação: construir o melhor futuro possível.

Reconhecermos que os Sindicatos fazem o melhor que podem e sabem, porque são dirigidos por colegas nossos, é o exercício de humildade e cooperação que devemos partilhar e, isso, só se alcança pela sindicalização qualquer que seja a sua opção sindical.

Não fique zangado comigo, mas, estas coisas são como o futebol. Não chega jogar bem e ter simpatizantes. É necessário ganhar jogos e ter sócios que contribuam para comprar os melhores jogadores.

Postas estas questões preliminares, e tendo em conta a natureza positiva da sua reflexão, sugeria ao colega que consulte a vasta informação disponível nos sites do SCTS e do Sindite, pois, no meu ponto de vista, tal permitiria enriquecer as suas propostas iniciais, dando-nos mais pistas para este dialogo no Fórum.

Uma últimas notas a algumas questões suscitadas por participantes do Fórum:

a) Penso que está instalada alguma confusão sobre o ensino universitário e politécnico, designadamente quanto a títulos académicos obtidos no ensino superior;

b) Acho que é um mau contributo centrar qualquer discussão na questão de qual dos ensinos é melhor, face à reforma operada com Bolonha, salvo se se quiser inquinar a discussão, como é o caso do José Carlos Dantas, provavelmente porque não integra o conjunto das profissões de diagnóstico e terapêutica;

c) O título de "superior" a utilizar na carreira decorre do enquadramento das carreiras que, como a nossa, para o ingresso determina a posse de licenciatura e título profissional;

d) Quanto às categorias da carreira reflectirem os níveis académicos de licenciaturas, mestrados ou doutoramentos, penso que são questões que estão a ser ponderadas pelos sindicatos, embora ninguém saiba como vai terminar a negociação com o Ministério da Saúde.

Termino como comecei: penso que todas estas ideias devem ser discutidas dentro dos sindicatos, pois, são estes os responsáveis pela negociação, como sempre foram nas últimas décadas. Pense nisso porque aos espectadores só lhes resta assistir e, no meu ponto de vista, é fundamental participar.
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Re: Reflexão sobre a carreira TDT

Mensagempor Ed Costa em Segunda, 22 Mar 2010 12:58

Diz lina peixoto
Não por razões de apologia ao Sindicato a que pertenço com orgulho, o SCTS, antes porque entendo que este Fórum deve servir para reflectir e não para fazer publicidade a organizações sindicais como faz o colega Ed Costa.

Quero dizer-lhe que, se me procurou censurar, lhe devolvo a censura ,primeiro porque ( recomendo-lhe que atente bem nos meus escritos) não faço só "publicidade"ao meu sindicato,de que também muito me orgulho, como já o tenho afirmado, que mais que não fosse por esta razão, devia merecer o repeito da classe,por ter sido o percursor ( faz 100 anos daqui a dois ) das organizações de representação dos actuais TDT, e porque, como fácilmente se comprova, é aquele que mais se tem batido pela defesa doa classe no sector privado, mas também da generalidade dos sindicatos dado o papel primodial que,a par dos partidos, têm na democracia, e a conveniência da sindicalização.E em segundo lugar porque como seu filiado só estou a cumprir um dos meus deveres estatutários.
Depois porque o "pecado" de que me acusa, como é visivel para todos os frequentadores deste Fórum, é compartilhado por si, em relação ao SCTS, assumido como quase o único efectivo e exclusivo defensor dos verdadeiros interesses dos TDT.
No entanto congratulo-me com alguma inflexão, que se vai vislumbrando, tavez por razões tácticas ( lembro por exemplo a citação feita ao SINDITE ), quer nos seus escritos, quer na prática actual do SCTS. Mas lamentávelmente com ainda alguns "tiques" de superioridade como esse de que, só vós os do SCTS, saberem refletir e outros, como o ed costa ou, só sabem fazer publicidade das suas organizações ou ,naturalmente como acontece com a alusão ao J. Carlos Dantas, porque não são do tempo das licenciaturas e não se pronunciam em termos elitistas, não são considerados como da classe.Aliás já tal aconteceu, com evidentes prejuizos para a classe, quando da tentativa de constituição do Conselho das Profissões. E digo, com prejuizos para a classe, pois hoje estariamos,sem Ordem mas com algor que ,na minha opinão, teria as melhores condições para a sua defesa, especialmente em termos do exercício inqualifacado, no qual não vejo o SCTS verdadeiramente enpenhado.Convençam-se que não é, com a chamada auto -regulação, que resolvem este problema
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Re: Reflexão sobre a carreira TDT

Mensagempor zuppara em Segunda, 22 Mar 2010 15:27

Obrigada pela partilha da sua opinião. :)

linapeixoto Escreveu:Dou-lhe desde já um exemplo, rectificando uma sua afirmação: não existe qualquer relatório final do Ministério da Saúde sobre a revisão das carreiras de TDT e TSS, antes um relatório de um grupo de trabalho que a Ministra da Saúde não subscreve.


Bem, eu baseei-me no nome atribuído ao relatório que se chama Relatório Final pode constatar aqui: http://sifap.pt//index.php?option=com_d ... &Itemid=27 (não estou associado ao sindicato, apenas me sirvo do link para mostrar o documento)

linapeixoto Escreveu:Nesta linha de esclarecimento, também as questões dos clusters de ciências laboratoriais / biomédicas, ciências fisiológicas e ciências radiológicas, entre outros, não faz parte do referido relatório, antes sim de propostas do SCTS, bastando para tal consultar o respectivo site.


Se vir o link acima postado, pode constatar que os clusters são mencionados a partir da página 18 do respectivo documento.

linapeixoto Escreveu:Dúvidas sobre o que afirmo? Provavelmente sim. No entanto nós, latinos, temos por hábito criar referências em relação aos nórdicos e, isso, leva-me a dizer-lhe e perguntar-lhe: porque razão a taxa de sindicalização média nos países nórdicos ultrapassa os 75% e, em Portugal, não chega aos 25%? Porque será que, com esta realidade, e mesmo assim, o modelo de desenvolvimento defendido pelo SCTS para as nossas profissões é seguido pelos nórdicos? Se souber, por favor, responda-me.


Desde os anos 90 que o sindicalismo tem perdido forças em Portugal, tomando lugar as comissões de trabalhadores, são grupos mais pequenos, por norma sem ligações politicas ou ideológicas e que fazem a defesa localmente dos interesses inerentes. Podemos ver isso diariamente nos vários sectores que enfrentam insolvência ou falência, já pouco se fala em sindicatos a não ser na função pública.
Este mesmo ponto de vista é descrito num documentário realizado pelo sociólogo António Barreto - ver PORTUGAL - UM RETRATO SOCIAL.
Os países nórdicos são neste momento os países de referencia por estarem no topo dos rankings de desenvolvimento humano, tal como ocorria com a França, há muitos anos e do qual importamos o modelo de educação e de saúde.
Nesses países existe uma coisa que em Portugal não existe e chama-se justiça, nós queremos justiça, mas não queremos fiscalização nem sanções daí a impunidade em termos gerais no sector da saúde. Veja-se o caso tão badalado do servido de oftalmologia do Hospital de S. Maria, já ninguém fala no assunto e há um medo ridículo de imputar/assumir responsabilidades dentro do quadro da saúde.

Mas não podemos manter isto na rédea do ser latino, os portugueses emigrantes trabalham mais e melhor, são reconhecidos e ganham mais.
Os países nórdicos a que me refiro são os escandinavos e apesar de não terem tido uma ditadura, estiveram até meados dos anos 90 com a ameaça da invasão soviética à porta. Em termos de recursos naturais possuem muito menos para onde se virarem do que Portugal, sem esquecer o clima e na posição geográfica. Já a Finlândia é um país com poucos anos de vida, travou guerras no seu território a meio do século XX, ao contrário de Portugal. No entanto o seu crescimento foi exponencial em pouco tempo conseguiu crescer mais economicamente do que Portugal em 800 anos de história!
Durante os anos 60, Portugal tinha uma economia com saldo positivo e crescente, é certo com custos para o povo, mas desde os anos 70 que o país foi vendido ao desbarato e toda a gente queria era um emprego na função pública que por sinal é uma área que não produz riqueza, pelo contrário vive dos impostos. À excepção das Golden Shares, as empresas públicas que dão lucro são aves raras e a maioria vive dos créditos que o Governo pede lá fora, pois nenhum banco daria qualquer crédito a empresas com prejuízos na ordem dos milhões de euros.
Será então problema da cultura ou um problema de ordem politica, justiça e de educação?

Para quem quiser saber mais sobre as causas da decadência do nosso país eu sugiro a leitura: Causas da Decadência dos Povos Peninsulares, de Antero de Quental.

linapeixoto Escreveu:Quanto às questões carreira (s) e o Conselho das Profissões, também aqui importa atentar nas propostas formuladas pelo SCTS ao longo dos últimos anos, dado estas mesmas questões, não serem estáticas.


No meu ponto de vista as questões da carreira são estáticas, a carreira está definida na lei, o profissional só pode ascender até onde a lei permite e tanto quanto eu saiba não têm surgido leis a promoverem com regularidade qualquer alteração na carreira, surgirão possivelmente a seguir ao acordo a ser efectuado com o MS. Mas até lá a lei é a mesma desde há muito tempo.
Em relação ao Conselho das Profissões, se formos a ver todos os sindicatos são capazes de dizer que estão a trabalhar nesse sentido, mas facto é que ele não existe apesar de legislado, logo algo se passa, ou neste caso algo não se passa.

linapeixoto Escreveu:Matérias como as categorias, reconhecimento do mérito, a emergência de novas profissões, etc., têm já um consenso razoável.


Um consenso razoável, significa então que haverá quem esteja em desacordo ou contra.
Numa área onde a competitividade entre postos de trabalho é elevada, quer-se rigor e justiça para tal é necessário fazerem-se avaliações e investimentos no ensino, dando o mérito a quem o tem, não porque é amigo ou porque pagou com presuntos, mas porque efectivamente o seu trabalho e o currículo o demonstram.

linapeixoto Escreveu:No entanto colega, embora eu tente acompanhar todas as questões da minha e das outras profissões, não tenho dúvida que as mudanças são tão rápidas que, a nós, enquanto profissionais de saúde comuns, pouco mais nos resta do que apresentar ideias e acreditar que os sindicatos são capazes de realizar os nossos objectivos.


Mas quais mudanças concretas a que se refere?
A precariedade, o trabalho inqualificado, a usurpação de funções ou a legislação sem sentido que não separa trigo do joio? Ou ainda a impunidade para todas estas acções? É que isto não pode ser chamado de mudança, tem sido o mesmo caminho ao longo dos anos da democracia, e cada vez mais se acentua.

linapeixoto Escreveu:Reconhecermos que os Sindicatos fazem o melhor que podem e sabem, porque são dirigidos por colegas nossos, é o exercício de humildade e cooperação que devemos partilhar e, isso, só se alcança pela sindicalização qualquer que seja a sua opção sindical.


Existem outras formas como as petições ou processos judiciais colectivos, que não requerem necessariamente sindicatos, basta haver um grupo de interesses. Estou apenas a ressalvar que os sindicatos não são a única plataforma de discussão ou negociação e não a desvalorizar o seu papel.
O problema que pesa sobre a generalidade dos sindicatos é a facção política a que estão ligados e os interesses que o corpo dirigente possa manter e isso faz muita gente ficar de pé atrás, tal como ocorre com os partidos políticos em que dizem muita coisa mas nunca são suficientemente credíveis. Mas este é um mal geral, a descredibilização das instituições é crescente em Portugal pela falta de justiça e então são lançadas inúmeras suspeitas sobre tudo.

linapeixoto Escreveu:Não fique zangado comigo, mas, estas coisas são como o futebol. Não chega jogar bem e ter simpatizantes. É necessário ganhar jogos e ter sócios que contribuam para comprar os melhores jogadores.


Eu não fico nada zangado, se há coisa que aprecie é discutir ideias daí ter aberto o tópico e referir logo no 2º parágrafo que não esperava consenso.

Contudo, a metáfora é um bocado desajustada, a maioria (senão todos!) dos clubes não vive com o dinheiro pago pelos sócios, alias nem conseguiram pagar os salários. No caso dos clubes da primeira liga as maiores receitas vêm das emissões televisivas, patrocínios, venda de bilhetes nos estádios, apoios camarários (especialmente nos clubes desprovidos de SAD), a participação em jogos europeus e ainda o franchising. No caso dos restantes clubes a maioria sobrevive com o que as câmaras pagam, receitas dos bilhetes e investimento de alguns privados.
Ora com isto pode-se dizer que há outras formas dos sindicatos arrecadarem fundos: peditórios/donativos, cursos, congressos, voluntariado etc. Alias hoje em dia com a plataforma moodle conseguiriam arrecadar bastantes fundos!
É uma questão de terem um bom economista no meio e em pouco tempo conseguirão fazer algum dinheiro extra.

linapeixoto Escreveu:Postas estas questões preliminares, e tendo em conta a natureza positiva da sua reflexão, sugeria ao colega que consulte a vasta informação disponível nos sites do SCTS e do Sindite, pois, no meu ponto de vista, tal permitiria enriquecer as suas propostas iniciais, dando-nos mais pistas para este dialogo no Fórum.


Porque faz menção apenas a esses dois sindicatos, quando podia fazer uma alusão genérica ou então referir os 4 sindicatos que representam a classe? (alias 3, já o SFP só representa os fisioterapeutas)
Não deverá a neutralidade ser um factor na pesquisa pela informação?

linapeixoto Escreveu:c) O título de "superior" a utilizar na carreira decorre do enquadramento das carreiras que, como a nossa, para o ingresso determina a posse de licenciatura e título profissional;


Mas será isto observável noutros países? O maior receio é que ao criar-se um quadro para superiores, vai-se abrir um quadro para "inferiores" os patrões e o pessoal com cursos de grau III e IV podem assim esfregar as mãos de satisfação ao verem uma luz ao fundo do túnel. Arriscamos-nos a ter ainda mais auxiliares de farmácia, fisioterapia, técnicos de análises físico-químicas, técnicos de análises microbiológicas e companhia... a executarem o trabalho inqualificado muito característico na velha crença do tempo da EFTA - mão-de-obra barata = muito lucro rápido. Quando se sabe hoje que é uma falsidade do ponto de vista económico.
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Re: Reflexão sobre a carreira TDT

Mensagempor Ed Costa em Segunda, 22 Mar 2010 16:34

Caro colega zuppara, penso que, a si, o posso tratar assim pois sou dos antes dos licenciados. as minhas sinceras felicitações pelas ideias espendidas na sua anterir mensagem em que, como aliás acontece na generalidade, estou de acordo. No entanto, se mo permite,apenas discordo, embora o compreenda pelo seu relativo deconhecimento da vida sindical no nosso pais, em relação a algumas questões a que alude:
Desde os anos 90 que o sindicalismo tem perdido forças em Portugal, tomando lugar as comissões de trabalhadores, são grupos mais pequenos, por norma sem ligações politicas ou ideológicas e que fazem a defesa localmente dos interesses inerentes. Podemos ver isso diariamente nos vários sectores que enfrentam insolvência ou falência, já pouco se fala em sindicatos a não ser na função pública.

Está enganado em relação à não ligação a "ligações politicas ou ideológicas" pois dificilmente entre nós elas não se colocam. Além disso é diferente a sua função tanto mais que actuam em prespectivas da empresa e não com uma visão mais abrangente. Estou de acordo no entanto consigo e mesmo com o sociólogo a que alude ( isto embora na generalidade não) no aspecto da excessiva conotação partdária de algumas das organizações sindicais. A este propósito ( lá estou eu a poder ser acusado de propaganda !) posso -lhe garantir que tal não se pode, com legitimidade, ter aplicação no meu pois sendo , em termos da maioria dos seua associados e dos dirigentes, conotados com uma "facção politica ", sempre manifestou grande independência, como por exemplo vai verficar na reprodução de um comunicado o que vou fazer neste fórum.
Em relação ao Conselho das Profissões, se formos a ver todos os sindicatos são capazes de dizer que estão a trabalhar nesse sentido, mas facto é que ele não existe apesar de legislado, logo algo se passa, ou neste caso algo não se passa.

Neste ponto quero-lhe garantir que só o SIFAP se tem mostrado interessado e não aceita, como aconteceu na reunião que tenho citado, ser discriminado.
Ora com isto pode-se dizer que há outras formas dos sindicatos arrecadarem fundos: peditórios, cursos, congressos, etc. Alias hoje em dia com a plataforma moodle conseguiriam arrecadar bastantes fundos!
É uma questão de terem um bom economista no meio e em pouco tempo conseguirão fazer algum dinheiro extra

Isto além de ser nas nossas condições impraticável era ,nalguns aspectos, violador de principios importantes do sindicalismo. Já o mesmo não se verificaria em termos de subsidiação,em minha opinião,por parte do Estado á semelhança dos partidos.
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Re: Reflexão sobre a carreira TDT

Mensagempor zuppara em Segunda, 22 Mar 2010 17:12

Ed Costa Escreveu:Caro colega zuppara, penso que, a si, o posso tratar assim pois sou dos antes dos licenciados. as minhas sinceras felicitações pelas ideias espendidas na sua anterir mensagem em que, como aliás acontece na generalidade, estou de acordo. No entanto, se mo permite,apenas discordo, embora o compreenda pelo seu relativo deconhecimento da vida sindical no nosso pais, em relação a algumas questões a que alude:


Pode tratar até por "tu" se quiser sendo eu mais novo, estaria mais que no seu direito, não faço uso de títulos quando muito de técnico se estivesse a desempenhar funções, fora dum laboratório sou um cidadão como qualquer outro.

Está enganado em relação à não ligação a "ligações politicas ou ideológicas" pois dificilmente entre nós elas não se colocam. Além disso é diferente a sua função tanto mais que actuam em prespectivas da empresa e não com uma visão mais abrangente. Estou de acordo no entanto consigo e mesmo com o sociólogo a que alude ( isto embora na generalidade não) no aspecto da excessiva conotação partdária de algumas das organizações sindicais. A este propósito ( lá estou eu a poder ser acusado de propaganda !) posso -lhe garantir que tal não se pode, com legitimidade, ter aplicação no meu pois sendo , em termos da maioria dos seua associados e dos dirigentes, conotados com uma "facção politica ", sempre manifestou grande independência, como por exemplo vai verficar na reprodução de um comunicado o que vou fazer neste fórum.


Referia-me indirectamente à CGTP e UGT como sabe são centrais sindicais ligadas a dois partidos. E actualmente a ministra do trabalho é ou foi curiosamente uma sindicalista da UGT... E como é óbvio falei em termos mais genéricos o que significa que há sempre lugar para excepções.

Neste ponto quero-lhe garantir que só o SIFAP se tem mostrado interessado e não aceita, como aconteceu na reunião que tenho citado, ser discriminado.


Eu estou ciente disso, pois já o disse repetidas vezes, contudo o consenso ainda não foi atingido entre todos os participantes e nada passou do papel.

Isto além de ser nas nossas condições impraticável era ,nalguns aspectos, violador de principios importantes do sindicalismo. Já o mesmo não se verificariaem termos de subsidiação,em minha opinião,por parte do Estado á semelhança dos partidos.


São ideias a serem pensadas, se os sindicatos precisam de $, logo necessitam de arranjar formas de o cativarem "a necessidade aguça o engenho".
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Re: Reflexão sobre a carreira TDT

Mensagempor Ed Costa em Segunda, 22 Mar 2010 19:29

Diz zuppara:
São ideias a serem pensadas, se os sindicatos precisam de $, logo necessitam de arranjar formas de o cativarem "a necessidade aguça o engenho".

Tem razão mas, neste caso, esse "engenho" só pode ser, no meu entendimento, dentro daquilo que deve ser, a defesa da independência sindical, o financiamento pelos trabalhadres. Daí o trabalho que devem ter em atenção,todos aqueles que entendem a importância do sindicalismo,em termos da conscialencialização, para que voltemos ao nível de filiação sindical,que já tivemos,o que aceito, talvez tenha, como uma das causas,a excessiva conotação partidária a que alude,Mas se forem mesmo instituições democráticas ( não chega identificarem se só como tal ) compete aos associados actuarem em conformidade.Não devemos no entanto esquecer que a principal causa é a propaganda que, pelos nossos opsitores , é feita contra os sindicatos.No entanto são raras as empresas não organizadas em associações patronas. Veja-se por exemplo, no caso do meu sindicato, são raissimas as não filiação e,especialmente em farmácia , em que a filiação é de 100%.
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Re: Reflexão sobre a carreira TDT

Mensagempor jose carlos dantas em Terça, 23 Mar 2010 12:26

Tenho acompanhado as opiniões dos vários intervenientes, das quais algumas merecem uma reflexão.
O tema proposto por um colega era debater, a carreira dos TDT, mas com o decorrer do debate, pode constatar-se que
o tema inicial, resvalou para uma perspectiva sindical.
Ora o sindicalismo parece que para a maioria dos colegas é de extrema importância.
Nos seus duzentos anos de historia, o sindicalismo foi impactado por diferentes concepções ideológicas, e teorias de acção, que permitiu a construção de uma tipologia bastante ampla, dando como exemplo o sindicalismo dos países nórdicos, com uma vertente mais social, do que ideológica dos países ditos industrializados, talvez devido a isso, setenta e cinco por cento dos trabalhadores são sindicalizados.
Aceito perfeitamente sem qualquer tipo de pudor, a existência de várias correntes sindicais, de índole politica, porque estão na sua génese histórica, anarquista, socialista, reformista, comunista, populista etc.
O importante do meu ponto de vista, é que ao longo dos anos, o movimento sindical, e conjunto de praticas sociais, são próprias, e com características especificas, de cada pais, adquirindo um peso social, e uma força decisiva pela melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores.
Para finalizar diria que sindicalismo não é um movimento estático, está constantemente em transformção, e criando novas formas de organização e acção.
Na sociedade em que vivemos com a crise financeira, a teoria e a acção sindical, estão diante de significativos e novos desafios, devido à emergencia de novos actores socias, nomeadamente a nível da economia e das instituições.
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Re: Reflexão sobre a carreira TDT

Mensagempor Carlos Nujo em Terça, 23 Mar 2010 17:19

Discussão interessantíssima!

Colega Zuparra admiro a sua clareza na exposição dos seus argumentos.

Concordo fundamentalmente com a formação e a carreira. O conselho teria de incluir os TSS.

Não concordo com o afastamento dos TSS. Da minha experiência profissional, a opinião dos meus colegas de trabalho TSS (Psicologos, Nutricionistas, AS...) acerca dos TDT é positiva e não já não persiste aquela opinião de superioridade em relação a nós (pelo menos nos profissionais mais jovens).
Com a reforma dos Cuidados de Saúde Primários, foram criadas URAPs que englobam todos as profissões (TDT e TSS) num só grupo. No meu ACES, a URAP reúne mensalmente com os representantes de todas as profissões num "conselho dos representantes". Não existe qualquer diferença de tratamento entre TSS e TDT (todos têm os mesmos direitos e deveres, todos colaboram em programas de promoção da saúde). A meu ver esta experiência demonstra que a nossa fusão com os TSS é possível e inevitável.
A meu ver as profissões que compõem os TDT têm grande qualidade de formação e utilidade pública, mas precisam de um pouco mais de visibilidade para ganharem espaço. Precisamos por exemplo de maior produção de artigos científicos e maior envolvimento em programas de saúde pública. As associações profissionais (dos TDT) também podiam colaborar entre si para a promoção publico-científica.

Em relação aos sindicatos, penso que os sindicatos que nos representam tentam fazer o que podem mas infelizmente de forma desorganizada.
Para quando a fusão dos 4 ou 5 num só? Caso isto não aconteça, não vejo como podemos ter peso negocial ou mesmo ter uma maior adesão sindical. Neste fds estive numas jornadas onde os presidentes do SCTS e Sindite discursaram e abordaram a “nova reforma”, fiquei bastante desiludido com a divergência de opinião e o tempo que desperdiçaram a tentarem rebaixar-se subtilmente... “Assim não vamos longe” comentavam alunos atrás de mim…
Com a nossa cultura "latina" os sindicatos teriam maior poder caso a lei obrigasse o trabalhador a ser sindicalizado para exercer. Em contrapartida os sindicatos assegurariam a segurança social do seu grupo de sindicalistas (recebendo os descontos+cotas).
Cumprimentos e que o brainstorm continue
Carlos Nujo
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Re: Reflexão sobre a carreira TDT

Mensagempor zuppara em Terça, 23 Mar 2010 19:33

Carlos Nujo se não se importar, seria possível dizer o significado das siglas: AS, URAPs, ACES? Obrigado.

Concordo com a questão da promoção público-cientifica e ainda noutro tópico abordei isso com uma colega. Já em tempos numa conversa com uma psicóloga ela concordou comigo, existe demasiado conhecimento deitado ao lixo ou engavetado. As pessoas têm o trabalho de fazerem monografias, mestrados ou teses de doutoramento e no final são poucas as faculdades que possuem uma base de dados onde seja possível pesquisar os resultados desses trabalhos. Falta-nos algo tipo uma pubmed nacional, teria a vantagem de colocar o conhecimento disponível para todos e ao mesmo tempo controlar um pouco o plágio.

A questão sindical tem a ver com o que referi atrás, depende da central sindical a que pertençam e se não pertencerem vão ter que aturar os que pertencem, daí que a fusão não possa ocorrer. Não se trata dum problema de cultura, mas é mais uma questão de orientação politico-ideológica, o mesmo se passa noutros países possivelmente. A única solução possível seria eliminar as duas confederações e obrigar os sindicatos a serem neutros politicamente, coisa que não vai ocorrer.
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