VIOLÊNCIA EM MULHERES GRÁVIDAS ALVO DE RASTREIO NACIONAL
Projecto nasceu em Bragança
Preparar os profissionais de saúde para detectarem e lidarem com casos de violência doméstica contra grávidas é um dos objectivos do projecto. A inspiração para esta iniciativa surgiu de um projecto em curso em Bragança, onde os profissionais de saúde têm recebido formação sobre esta problemática e estão a realizar inquéritos junto das grávidas.
Um projecto pioneiro em curso nos centros de saúde de Bragança vai dar origem a um rastreio nacional sobre violência doméstica em mulheres grávidas, a primeira iniciativa do género sobre uma realidade desconhecida em Portugal. A secretária de Estado para a Igualdade, Elza Pais, disse que já propôs à ministra da Saúde o estudo sobre um grupo que “pode ser problemático”.
A “inspiração” para esta iniciativa surgiu, segundo a governante, de um projecto em curso em Bragança, onde os profissionais de saúde têm recebido formação sobre esta problemática e estão a realizar inquéritos junto das grávidas.
O questionário está elaborado de forma a ser possível detectar sinais de violência, mesmo quando não denunciada, e poderá ser agora largado a todo o país. “Aqui já há experiência nesse sentido e é com base nesta boa prática que se poderá lançar esse rastreio nacional” disse a secretária de Estado numa visita a Bragança no âmbito da “Rota para a Igualdade”.
A responsável pelo projecto transmontano, Fátima Ramos, explicou que só no final de 2011 serão conhecidas conclusões desta iniciativa que, depois de Bragança e Mirandela, será alargada, depois do Verão, a todos os centros de saúde do Distrito.
De acordo com a responsável, em todo o distrito há por ano uma média de 700 grávidas, e foi um caso de um feto com uma aparente má formação que veio a revelar-se consequência de uma violenta agressão à mãe, que “despertou esta médica para esta realidade”.
Preparar os profissionais de saúde para detectarem e lidarem com estes casos é um dos propósitos do projecto.
A secretária de Estado elogiou o projecto que já motivou outras iniciativas, nomadamente um estudo, da autoria do professor Henrique de Barros, que aponta para uma incidência da violência doméstica em 9% das grávidas da região Norte. “Quer dizer que na região Norte estamos acima da média da Organização Mundial de Saúde que se situa entre os três e os sete por cento. No resto do país, o estudo vai agora ser feito”, referiu Elza Pais.
A governante classificou o Distrito de Bragança como uma “referência nacional” na intervenção precoce e combate à violência doméstica e apontou como outro exemplo o núcleo de apoio à vítima, o primeiro do país a ser criado num Governo Civil.
Numa região com uma população maioritariamente rural e dispersa, uma parceria entre 10 entidades tem permitido “ir ao encontro” das vítimas, respondendo e encaminhando de imediato os casos. Nos últimos dois anos e meio foram atendidas e acompanhadas 367 pessoas com um aumento progressivo de casos que o governador civil, Jorge Gomes, entende não ser “um aumento de casos, mas de denúncias”.
As situações de violência que mais têm crescido nas estatísticas regionais são as que acontecem entre os jovens e com idosos. A secretária de Estado garantiu que no 4º Plano Contra a Violência Doméstica, que será aprovado ainda este ano, o grupo dos idosos “vai merecer uma atenção especial”.
Fonte: Lusa/Público
