MARCAÇÃO DE CONSULTAS ONLINE FALHA EM CENTROS DE SAÚDE
Medida anunciada no final de 2009
Incompatibilidade entre sistemas está a atrasar a implementação da marcação de consultas online. A Administração Central dos Sistemas de Saúde reconhece ter havido problemas iniciais. Porém esclarece que, actualmente, todas as ferramentas informáticas estão desenvolvidas. E avança que há pelo menos 15 Unidades de Saúde Familiar que têm as agendas dos médicos disponíveis para marcar consulta.
A marcação de consultas através da Internet está a falhar em muitos centros de saúde, em especial nas unidades de saúde familiares (USF), que utilizam os sistemas informáticos Medicine One e Vitacare. Bernardo Vilas Boas, presidente da Associação Nacional das USF, disse que nestas 50 a 60 unidades "não é possível fazer a marcação de consulta", sendo que as mesmas servem mais de um milhão de utentes.
"Todas as soluções informáticas foram desenvolvidas pela Administração Central dos Sistemas de Saúde (ACSS) para os sistemas SAM e SAPE, que são softwares desactualizados. Por isso, ou se adapta a plataforma a todos, como o Medicine One e Vitacare", ou as empresas que os criaram têm de desenvolver ferramentas para o possibilitar", refere.
A situação foi confirmada por várias USF. Foi o caso da USF de Dafundo. Uma administrativa explicou que "o Medicine One não permite ao utente marcar consulta pela Internet. Nenhuma USF consegue". A solução é fazê-lo da forma tradicional: por telefone, pessoalmente ou por e-mail.
Outra unidade refere o mesmo problema. Elisabete Neto, a coordenadora da USF de Buarcos, disse que "os sistemas são incompatíveis, porque não há ligação entre os dois", avança. Neste caso, a unidade utiliza a aplicação Vitacare. "A empresa ainda está a elaborar a ligação ao sistema e-agenda, mas não há uma previsão de quando poderá começar a funcionar."
Fernando Mota, vice-presidente da ACSS, reconheceu ter havido problemas iniciais. Porém, actualmente, "todas as ferramentas informáticas estão desenvolvidas", garante. E avança que "há pelo menos 15 USF com Medicine One que têm as agendas dos médicos disponíveis para marcar consulta. Por isso, acredita que o processo está a funcionar, apesar de "haver sempre casos pontuais sem marcações".
Até agora, "houve 38.130 inscrições de utentes e 16.634 marcações de consultas". Mesmo nos centros de saúde com sistemas tradicionais "têm havido dificuldades. As marcações exigem trabalho manual por parte dos secretários clínicos. Por isso, tudo se está a processar lentamente. "Só uma minoria está a funcionar em pleno", salienta Vilas Boas.
De acordo com o Bloco de Esquerda, os problemas envolvem também a marcação de consultas hospitalares através dos cuidados primários. "Aqui a marcação é feita pelo sistema Alert, que não comunica bem com o SAM/SAPE. Eu próprio tenho de colher dados e copiá-los para o outro sistema, quando tudo devia ser automático. Mas há centros de saúde que não têm largura de banda ou até hardware para enviar a informação para o hospital", diz Vilas Boas. Neste caso, o que se faz "é usar o tradicional: carta ou e-mail".
marcação de consultas online foi anunciada pela ministra da Saúde, Ana Jorge, no final de 2009. O objectivo é o utente inscrever-se no site portal da saúde. A partir daí, acede ao serviço e-agenda, onde contacta com a agenda do médico e escolhe o dia que pretende consoante a disponibilidade.
Fonte: Diário de Notícias
