Vacinação contra a meningite

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Vacinação contra a meningite

Mensagempor Carolina G. em Quarta, 08 Out 2008 21:42

Número de doentes não sofreu diminuição equivalente
Vacinação contra meningite pneumocócica não se revelou eficaz
07.10.2008 - 20h57 Lusa
A vacinação contra a meningite pneumocócica em Portugal não se revelou eficaz. Cerca de 60 por cento das crianças receberam esta vacina, mas o número de doentes não sofreu uma diminuição equivalente, explicou hoje a ministra da Saúde, Ana Jorge, no Parlmento.

"Cerca de 60 por cento das crianças foram vacinadas e apesar disso não houve uma mudança [na prevalência da meningite pneumocócica conjugada heptavalente]. Essa é uma das razões pelas quais a vacina não foi incluída no Plano Nacional de Vacinação (PNV)", explicou a ministra Ana Jorge no Parlamento. No mês passado soube-se que a Vacina não ia ser integrada no plano.

A ministra foi questionada pela deputada do CDS-PP, Teresa Caeiro, se enquanto pediatra já tinha prescrito ou poderia prescrever a vacina, Ana Jorge abanou a cabeça em sinal negativo, sugerindo que nunca o tinha feito.

"A comunidade de pediatras em Portugal recomenda a vacina, aliás como a própria Organização Mundial de Saúde. Hoje perguntei à ministra se, enquanto pediatra, já tinha prescrito ou poderia prescrever a Prevenar e a ministra fez que não com a cabeça, sugeriu que não a prescreveria. Não compreendo", disse à Lusa a deputada do CDS-PP, partido que propôs a introdução da vacina no Plano Nacional de Vacinação.

De acordo com a ministra da Saúde, está actualmente a decorrer um estudo para a identificação dos serotipos que prevalecem em Portugal. "Esperamos que haja a curto prazo vacinas com mais serotipos para se estudar a sua inclusão no Plano Nacional de Vacinação", afirmou a responsável.

Na Assembleia da República, a ministra adiantou ainda que os grupos de risco a quem deverá ser administrada a Prevenar "estão muito bem identificados", abrangendo "as crianças imuno-comprometidas, com doenças crónicas".

A decisão de não incluir a vacina contra a meningite designada pneumocócica conjugada heptavalente (Pn7) no PNV foi conhecida no passado dia 26 de Setembro. A decisão levou em conta vários elementos, entre os quais o facto de "o impacte positivo na saúde pública" da introdução desta vacina ser "questionável".

O valor de 15 milhões de euros em 2009 no custo da introdução da vacina também foi tido em conta pelos especialistas. Em Portugal, foram vendidas nos últimos quatro anos mais de um milhão de embalagens da Prevenar, num total de 81,2 milhões de euros, segundo dados da consultora IMS Health disponibilizados à Lusa.

De acordo com o parecer técnico sobre a introdução desta vacina, o impacte na saúde pública é "questionável" porque "os estudos portugueses existentes sobre a doença" são "limitados", podendo "não reflectir, com rigor, a realidade nacional".

O documento refere ainda que "a percentagem de portadores de pneumococos em alguns infantários do distrito de Lisboa, antes e depois da vacina, é sensivelmente a mesma, o que está de acordo com o esperado e confirma dados de estudos internacionais".

Os especialistas alegam, assim, que "o estudo realizado em Portugal pela empresa que comercializa a vacina não demonstrou custo-efectividade favorável à sua introdução no Plano Nacional de Vacinação".



http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1345257
Carolina G.
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