Radioterapia – Saiba Mais!

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Radioterapia – Saiba Mais!

Mensagempor Bruno Glória em Sexta, 11 Jan 2013 14:53

História da Radioterapia

A Radioterapia tem sido usada como tratamento contra o cancro há mais de 100 anos desde a descoberta dos Raios X em 1895 pelo físico alemão Wilhelm Röntgen.
No ano seguinte, em 1896, Henri Becquerel ao colocar sais de urânio expostos à luz solar sobre uma chapa fotográfica coberta por papel escuro, verificou que estes tinham a capacidade de a impressionar, tendo sido descoberta a radioatividade natural.

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(Símbolo da radioatividade)

Prosseguindo o trabalho de Becquerel, em 1898, Marie e Pierre Curie descobriram o Polónio e o Rádio iniciando assim uma nova era no tratamento médico.

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(Marie e Pierre Curie)

Desde então os cientistas tentaram aplicar a radiação através de equipamentos de ortovoltagem, nas mais variadas patologias, como o cancro. Alguns deles observaram que a exposição à radiação resultava na redução das dores provocadas por alguns tipos de cancro.
Durante as décadas seguintes, continuou-se a estudar o efeito da radiação no doente, descobrindo-se novos dados sobre os seus efeitos nos tecidos biológicos. O aparecimento de sequelas induzidas pela exposição intensa a campos de irradiação, como a dermatite, conduziram a uma mudança de paradigma.

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(Dermatite provocada pela radioterapia)

Surgiu o conceito de dose de radiação associado aos efeitos produzidos nos tecidos biológicos, o Röntgen (R), que mais tarde evoluiu para o Gray (Gy). Também, com o estudo da radiobiologia, os parâmetros como o fracionamento de dose (número de frações em que é a dose total é administrada) resultou em novos desenvolvimentos.
Após os anos 50 surgiram novos equipamentos como a unidade de cobalto e o acelerador linear, capazes de gerar radiação com energia mais elevada. Com a introdução da tomografia computorizada, em 1970, o planeamento tridimensional através de um sistema computorizado passou a ser uma realidade permitindo determinar com maior precisão a distribuição de dose no doente.
As inovações que nas duas últimas décadas a que se tem assistido, permitiram alcançar melhores resultados clínicos, melhorando a irradiação do volume tumoral e ao mesmo tempo preservando os tecidos adjacentes com redução dos efeitos secundários, devido ao desenvolvimento de sistemas de planeamento computorizados cada vez mais sofisticados e a aceleradores lineares de última geração capazes de modular a intensidade do feixe de radiação (IMRT- Intensity Modulated Radiation Therapy) e garantir a reprodutibilidade dos tratamentos (IGRT- Image Guided Radiation Therapy), aliados às novas tecnologias de imagem como a Ressonância Magnética e a PET.

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(Acelerador Linear topo de gama)


Radioterapia, o que é?

A Comissão Europeia revelou que todos os anos são diagnosticados na Europa 3,2 milhões de novos casos de cancro, representando a segunda maior causa de morte na União Europeia, a seguir às doenças cardiovasculares. Em 2010, o cancro matou cerca 30.000 pessoas em Portugal.

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(Símbolo da Liga Portuguesa contra o Cancro)

A Radioterapia é uma das modalidades mais importantes no tratamento do cancro, estando indicada em cerca de 50-60% dos doentes oncológicos, podendo ser utilizada ocasionalmente no tratamento de doenças benignas. Esta consiste na administração de radiações ionizantes, com o objetivo de destruir as células tumorais, impedindo-as de crescer e se reproduzir.

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(Tumor da mama em estado avançado)

A Radioterapia é indicada de forma exclusiva ou combinada a outros métodos terapêuticos como a cirurgia e a quimioterapia. Os tratamentos podem ter uma intenção Curativa ou Paliativa (para alivio de sintomas e/ou prevenção de sintomas incipientes).
A sua administração pode ser realizada de duas formas distintas, dependendo da localização da fonte de radiação. Em Radioterapia Externa (se a fonte for externa ao doente) e em Braquiterapia (se a fonte se localizar dentro ou adjacente à zona de tratamento).


Principais Funções dos Técnicos de Radioterapia

O Técnico de Radioterapia é interveniente no tratamento da doença oncológica, integrado numa equipa multidisciplinar que inclui o Médico Radioterapeuta, Físico, Enfermeiro e Auxiliar de Acão Médica,
O exercício das suas funções está regulado pelos decretos de lei nº 261/93, de 24 de Julho, 320/99, de 11 de Agosto e 564/99 de 21 de Dezembro e a portaria nº 256-A/86 de 28 de Maio.
Dependendo do seu local de atuação, que se pode estender desde a Tomografia Computorizada de Planeamento ao Acelerador Linear, o Técnico de Radioterapia tem como principais funções:

- Seleção dos meios de imobilização e posicionamento do doente para a aquisição das imagens de planeamento do tratamento;

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(Belly-Board e Combo-Fix – para posicionamento e imobilização da região pélvica)

- Execução da TC de planeamento (utilizada para o planeamento dosimétrico do volume a tratar);

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(Preparação de uma TC de Planeamento para um doente com tumor do Sistema Nervoso Central)

- Execução do planeamento dosimétrico através de sistemas de planeamento computorizados;

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(Sistema de Planeamento Computorizado – Planeamento Dosimétrico de um doente com Cancro do Pulmão)

- Administração diária do tratamento de Radioterapia através da utilização de radiação ionizante manuseando equipamentos próprios como o acelerador linear;

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(Acelerador Linear- Preparação para o tratamento)

- Aconselhamento do doente e respetiva família no que se refere ao tratamento e aos seus efeitos secundários;

- Controlo de qualidade dos equipamentos de radioterapia, através da sua calibração e verificação, monitorizando-os continuamente durante os tratamentos;

- Atuação nas áreas de utilização de técnicas e normas de proteção e segurança radiológica no manuseamento com radiações ionizantes.


Locais de Intervenção

Um técnico de Radioterapia pode exercer a sua atividade em Unidades Hospitalares Públicas e Privadas, Clínicas Privadas, Empresas de Comercialização de Equipamentos Hospitalares, e no Ensino e Investigação na área da Radioterapia.


Empregabilidade

Nos últimos anos assistiu-se à descentralização dos serviços de Radioterapia em Portugal. Estes situavam-se quase exclusivamente em Lisboa, Porto e Coimbra, porque apenas nestas áreas existiam os equipamentos necessários à realização dos tratamentos. Atualmente, Faro, Évora, Santarém, Vila Real e a Região Autónoma da Madeira já possuem estes serviços, que permitiram a rápida integração dos recém-licenciados.
A situação atual do mercado de trabalho em Portugal afigura-se, contudo, negativa, resultado da conjuntura económico-financeira, que condiciona a contratação de mais profissionais e a aquisição de novos equipamentos de Radioterapia, que são altamente dispendiosos.
A emigração, em países como a Suíça, Reino Unido e a Finlândia, têm sido o destino apontado para alguns dos profissionais que não encontram colocação em Portugal.


Onde estudar Radioterapia?

O curso de Radioterapia é atualmente ministrado em duas Escolas de Saúde: a Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Porto e a Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa


Associações de Radioterapia

Em Portugal existem duas associações representantes dos Técnicos de Radioterapia: a Associação dos Técnicos de Radioterapia (ART) e Associação Portuguesa dos Técnicos de Radioterapia, Radiologia e Medicina Nuclear (ATARP). Destaque ainda para a Sociedade Portuguesa de Radioterapia Oncologia (SPRO) e a nível internacional, a European Society for Therapeutic Radiology and Oncology (ESTRO) que engloba todos os profissionais de saúde envolvidos na área da Radioterapia e Oncologia.


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por João Gaspar
Licenciado em Radioterapia
Instituto Português de Oncologia de Coimbra Francisco Gentil, E.P.E.




Bibliografia

-http://ruirodrigues.pt/piros/RTPalF.html
-http://www.atarp.pt/media/Perfil%20Profissional%20_ATARP.pdf
-http://www.dgap.gov.pt/upload/Legis/1999_dl_564_21_12.pdf
-http://www.art-radioterapia.org/?page_id=19
-http://nautilus.fis.uc.pt/gazeta/revistas/30_1/vol30_fasc1_Art03.pdf
-http://www.fas.org/sgp/othergov/doe/lanl/00326631.pdf
-http://www.estesl.ipl.pt/ensino/licenciaturas/radioterapia
-http://www.portaldasaude.pt/NR/rdonlyres/6906B76C-A0D8-4017-A88C-486A20784D55/0/rt_nov08_vcorrigida_2_2.pdf
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