Processo de Bolonha - novas informações

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Processo de Bolonha - novas informações

Mensagempor Plumpi em Segunda, 29 Maio 2006 17:36

Os planos de estudo enviados pela ESTeSL com 240 ECTS (4 anos de licenciatura)foram "rejeitados", ou seja, foram mandados para trás com algumas dúvidas e questões por parte do Ministério da Ciência e do Ensino Superior (MCES), com fortes recomendações para que fossem reformulados para 180 ECTS (apenas os cursos de Fisioterapia e Radiologia da ESTeS de Coimbra viram uma maior abertura por parte do MCES para os 240 ECTS embora tenham sido exigidas, também, reformulações).
Há um prazo até dia 29 de Maio para serem novamente entregues os planos de estudo e se forem rejeitados há um novo prazo para Novembro.
No dia 17 de Maio as AE's das Tecnologias da Saúde reuniram-se para decidir qual deve ser o seu papel e o dos estudantes neste processo. Apenas cinco compareceram: ESTeSL, ESTeSC, Vale-Sousa, Piaget de Silves e Alcoitão. Relativamente ao modelo a ser adoptado, obviamente é do nosso interesse que seja adoptado o modelo 4+1 pois é este que permite uma Licenciatura base de 4 anos. Algumas das escolas que quebraram o acordo que consistia em enviar todos os planos de todos os cursos de todas as escolas de Tecnologias da Saúde de 4+1, fizeram-no por falta de informação, daí a sua importância.
Alguns cursos têm o apoio das Ordens a regulamentar o exercício da profissão, como por exemplo os Enfermeiros que, mesmo que o MCES decrete apenas quatro anos de licenciatura base, se a Ordem regulamentar que apenas os profissionais com seis anos poderão exercer, o MCES terá de permitir os seis anos e muito provavelmente finaciá-los na totalidade. Como não temos ainda uma Ordem (o Projecto está na gaveta há dez anos para ser aprovado) temos de ser nós, Estudantes e Profissionais, a lutar pelos nossos interesses! Se assim não for qual o sentido de num hospital trabalharem médicos com seis anos, enfermeiros com quatro ou cinco, psicólogos, assistentes sociais, etc com quatro e nós, Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica(TDT's) com três? Onde está a responsabilidade para com os nossos doentes?
É por isso que é necessário unirmo-nos, estudantes e profissionais, para fazermos ouvir a nossa voz, pois acreditem que a maioria da população portuguesa é completamente ignorante quanto à nossa situação!
Não deixemos as nossas lutas para serem lutadas por outros, ninguém agarra nas armas de terceiros!

Cumprimentos da vossa colega,
Marta Oliveira
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Plumpi
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Mensagempor RAM em Segunda, 29 Maio 2006 20:26

Viva!

Onde tiveste acesso a essa informação? Veio escrito em algum lado? Gostava de ter acesso a alguma documentação.
Quando estiveres desesperado(a), fecha os olhos, respira fundo, e grita "M€€€€®£@@@@"

Um Abraço
Augusto Ramoa
RAM
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Mensagempor Fernando Leite em Segunda, 29 Maio 2006 21:03

RAM Escreveu:Viva!

Onde tiveste acesso a essa informação? Veio escrito em algum lado? Gostava de ter acesso a alguma documentação.


Já somos 2...

Não quero ser derrotista mas tenho um mau pressentimento sobre esse processo de Bolonha, pois acho que a coisa não vai acabar favoravelmente para o nosso lado ( espero estar enganado ).

Como disse a colega Marta e muito bem, acho que somos nós, profissionais e alunos, juntamente com uma grande pressão e força por parte dos Sindicatos e das Associações que temos de conseguir fazer serem ouvidos as nossas pretenções.

O problema é que este processo está todo a decorrer, e enquanto isso muitos dos nossos colegas nem sabem o que se está a passar e provavelmente nunca ouviram falar do Processo de Bolonha.

Quando as coisas estiverem resolvidas é que vão vir lamentar o sucedido :?

Por isso faço um apelo a todos nós que divulguemos ao máximo o que está a acontecer entre todos os colegas.
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Fernando Leite
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Mensagempor Carolina G. em Segunda, 29 Maio 2006 21:15

Aqui vai um texto que encontrei e que transcrevo para debate:

"a educaÇÃo para as tecnologias da saÚde

João Vasconcelos Costa

Uma vez sem ser exemplo, sinto-me compelido a começar por apresentar as minhas credenciais para escrita de um artigo, atendendo a que, na minha página de apontamentos, uma certa acção concertada me tem apresentado como incompetente, parcial, faccioso e expoente de um lóbi, presumo que o médico. Sou professor na área da saúde tanto numa universidade como numa escola politécnica. Sei bem o que isto me custa, porque não posso limitar-me confortavelmente a transportar o programa de uma para outra. Isto é ser incompetente como professor do politécnico? Tenho valorizado a especificidade e a importância educação politécnica em muitos artigos, como poucos professores do politécnico têm feito. Sou médico, fui director de uma escola universitária da saúde, infelizmente até tenho experiência bem vivida do que é hoje a prática médica, mas até nem estou inscrito na Ordem, desde há muitos anos. Passemos adiante, que não vale a pena gastar mais cera. Vou ter mais guerra, mas paciência. C'est la vie!

Tudo isto não se passaria se as tecnologias da saúde (TS) não fossem, nos últimos anos, uma mina para o recrutamento de alunos, principalmente entre os inúmeros fracassados no acesso a medicina. Mas está a esgotar-se e os meus alunos já começam a estar preocupados com a falta de perspectivas de emprego.

É necessário esclarecer bem um ponto que, para leigos, pode causar confusão. Não vou falar na enfermagem, não incluída nas TS. Só por razões históricas e práticas (integração das antigas escolas de enfermagem) é que, em muitos casos, a enfermagem é ministrada juntamente com as TS. Teoricamente, desejaria que fosse ensinada em ambiente universitário, até para sinergias com o ensino médico. É o que se passa nos EUA e no Reino Unido, para alem de outros países. Mesmo em Portugal, testemunhei o esforço de uma universidade de Lisboa para integrar uma excelente escola de enfermagem.

Como bem sabem os meus leitores, o que me interessa principalmente no processo de Bolonha é o seu novo paradigma. Infelizmente, neste caso, desconhecendo as muitas propostas de adequação dos cursos de TS a Bolonha, não me posso pronunciar. Também não ajuda o facto de, certamente por minha culpa, nunca ter lido nada sobre o paradigma de Bolonha em relação aos nossos cursos de TS. E muito haveria a discutir. Estou convencido de que as experiências inovadoras do ensino médico (por exemplo, a adopção do método PBL) em muitas universidades canadianas (cito em primeiro lugar, pelo papel pioneiro de McMaster), americanas, europeias e até portuguesas (Minho e Beira Interior) são facilmente adaptáveis à educação em TS.

Portanto, lamentavelmente, vou limitar-me ao aspecto menor da duração dos cursos. O DL 74/2006 limita os cursos politécnicos ao máximo de três anos, excepto quando há directivas europeias em contrário ou uma prática internacional estabelecida. É sem dúvida o caso da enfermagem, mas não o das TS. No entanto, ao apresentarem as suas propostas de adequação a Bolonha as escolas de TS, públicas e privadas, após uma reunião de concertação, propuseram os quatro anos para as licenciaturas. Ninguém de bom senso deixará de considerar isto como uma provocação ao MCTES e não aceitará qualquer cedência do ministério.

Excepção única e honrosa de que me orgulho, por ser a minha escola, foi a ERISA, que não escapou a alguns mimos que não vale a pena reproduzir. Tudo isto é, a meu ver, um exemplo de novo-riquismo académico, fruto de exacerbados egos e auto-estimas, que são os piores inimigos de todos os muitos professores politécnicos que muito prezo e que antes preferem, e muito bem, valorizar-se na natureza específica e importância do seu sub-sector.

Um engenheiro "de estaleiro", um gestor de primeiro nível, um biólogo ou arqueólogo generalistas, um solicitador, um técnico superior de multimédia, etc., vão poder ser formados em três anos, mas um profissional de marketing farmacêutico (sem sentido pejorativo, para os que não compreendem a nossa tendência para novos jargões corporativos, são os antigos delegados de propaganda médica) tem de ser preparado em quatro anos!

Passemos ao sério. A área das tecnologias da saúde é vasta e diversificada. Mostro a lista dos actuais cursos:

Análises clínicas e saúde pública
Anatomia patológica citológica e tanatológica
Audiologia
Cardiopneumologia
Dietética
Ergonomia
Farmácia
Fisioterapia
Gerontologia
Higiene oral
Marketing farmacêutico (duvido de que deva ser incluído nas tecnologias da saúde)
Medicina nuclear
Neurofisiologia
Ortoprotesia
Podologia
Prótese dentária
Radiologia
Radioterapia
Reabilitação psicomotora
Saúde ambiental
Terapia da fala
Terapia ocupacional
Temos tendência para meter tudo no mesmo saco e tratar tudo uniformemente. Encaixa-se bem na nossa cultura da educação superior, "café para todos". Obviamente, neste espaço de escrita, não me posso referir a todos os cursos e vou exemplificar em relação a algumas diferenças essenciais. Alguns cursos são obviamente de alta tecnicidade e requerendo bases científicas sólidas: análises clínicas, anatomia patológica, dietética, fisioterapia, medicina nuclear, radiologia, etc. Outros claramente que não.

Algumas actividades são relativamente independentes do domínio médico do quadro clínico e afirmam-se por si, embora seja o médico a ter a primeira e a última palavra. Por exemplo, novamente, as análises clínicas, a fisioterapia, a radiologia, a radioterapia. Estas e outras são actividades complexas e relativamente independentes que justificam uma preparação a nível de licenciatura. Tenho algumas dúvidas em relação à anatomia patológica, que não é, em muitos casos, uma análise independente do enquadramento clínico.

Muito importante é que algumas destas actividades têm interacção directa com a pessoa, que deve ser compreendida em todas as dimensões. Isto exige uma formação larga e um bom domínio cultural e das relações interpessoais e sociais. São exemplos, entre outros, a fisioterapia, a gerontologia, a reabilitação psicomotora, a terapia da fala, a terapia ocupacional.

Mas vejamos outros casos. Um higienista oral é hoje uma pessoa que me dá conselhos úteis e muito bem. No entanto, a enorme maioria das suas horas de trabalho vai ser a fazer a simples destartarização, coisa que sempre me fez muito eficientemente a ajudante do meu dentista. Claro que estou a exagerar caricaturalmente. Não nego a importância educativa e de saúde pública da actividade de higiene oral.

Para isto, os actuais licenciados aprendem coisas como histologia e embriologia oral, microbiologia, cariologia (mas vão também tratar cáries?), nutrição e saúde oral, saúde oral escolar, outras mais, com alguma lógica. "Ma in Spagnia sono mille tre!" Só alguns exemplos anedóticos. Começo pelos que só são delirantes, mas que não têm consequências profissionais: antropologia social, biofísica, psicologia, ergonomia. Falta imagem, publicidade e marketing, pois toda a gente conhece a importância dos dentes brancos da Claudia Schiffer.

Outros casos são mais preocupantes porque apontam para um extravasar da actividade profissional do higienista oral (HO). Farmacologia: o HO vai receitar? Emergências médicas: o que são para um HO, a não ser que voltemos a falar de cáries ou até de abcessos. Oncologia oral: sem comentários! Admito que tudo isto seja só para rastreio, mas daí a que justifique essas disciplinas vai uma grande distância.

Consultei todos os currículos de HO e nenhum é apresentado aferido por ECTS. Por isto, é com alguma reserva que afirmo o seguinte. Para qualquer pessoa minimamente familiarizada com a saúde, o ensino de HO não ultrapassa os 120 créditos ECTS, isto é, dois anos. É um caso típico de um curso de especialização tecnológica (CET). J á escrevi que a verdadeira "janela de oportunidades" para o politécnico são os CET. As escolas de saúde acham que não, é o problema delas.

Brevemente, duas licenciaturas de quatro anos imprescindíveis. Cardiopneumologia, sabem o que é? Deixando de lado algumas provas espirométricas e de função respiratória, é essencialmente o electrocardiograma (ECG) - cateterismo, ecografia cardíaca, são outra coisa. Ainda há tempos, fiz um ECG num hospital e o maqueiro levou-me à Sra. Dra. Colocou-me os eléctrodos e carregou no botão para começar o ECG. Meteu-o no envelope e mandou para o médico. Será que ela sabia ler o ECG? O mesmo com a pomposa neurofisiologia, fazem electroencefalogramas e electromiografias.

Devia ficar por aqui, que já basta, mas isto começa a ser divertido e a dar-me gozo. Vou passar para caso análogo, o da optometria (que até nem é ministrada no politécnico), deixando de fora coisas certamente muito interessantes, como licenciaturas em podologia. Já tive experiências de optometristas que me corrigiram erros de prescrição de lentes por oftalmologistas e fiquei com respeito por eles. Sou muito sensível a lentes e alguns optometristas práticos é que me puseram óculos confortáveis com a devida distância interpupilar e a diaforese. Confesso mesmo que, para a minha rotina de ajustamento das dioptrias confio normalmente é num espanhol da minha zona com um curso de um ano mas muito experiente. Outra coisa é ir regularmente ao meu colega oftalmologista, que não seja para me ver a retina e medir a tensão ocular.

Mais uma vez, disciplinas que considero essenciais: anatomia ocular, fisiologia da visão e da refracção, doenças da refracção, óptica e, até vou mais longe, materiais ópticos, estética facial. Mas outros mimos? Garanto, que não estou a brincar, precisam também de análise matemática, bioquímica e fisiologia da célula, microbiologia e infecção (são optometristas ou oftalmologistas?) e até, entre muita coisa mais, organização e gestão de empresas! Mais uma vez, optometria não é um CET?

Lamento ter de concluir com dureza. Não é só caso para dizer que o rei vai nu, é também, e principalmente, uma questão ética. Posso ser processado por difamação, mas nunca me tolho no que tenho a dizer. Tudo isto é altamente lesivo! No sector público, é lesivo para os contribuintes, com a conivência do ministério, que aprovou os cursos. No sector privado, é um abuso do consumidor desprevenido e mal informado, com grave lesão económica das famílias."


Apenas uma nota para dizer que o autor é professor universitário e politécnico na área da saúde, com vasto curriculum e reconhecimento académico nos mais variadas vertentes.

Até que ponto estamos nós cientes ou preparados para estas reflexões de fundo? Até que ponto está aqui demonstrada alguma coerência (ou não)?
Carolina G.
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Mensagempor Axe em Segunda, 29 Maio 2006 23:10

É um bom texto para reflectir, não haja dúvidas
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Axe
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Comentário

Mensagempor Sérgio Martins em Terça, 30 Maio 2006 12:26

Em relação ao texto de João Vasconcelos Costa comento que:

Carolina G. Escreveu:Tudo isto não se passaria se as tecnologias da saúde (TS) não fossem, nos últimos anos, uma mina para o recrutamento de alunos, principalmente entre os inúmeros fracassados no acesso a medicina.


A maioria dos alunos não concorreu para o curso de medicina já que na maioria desses cursos, como por exemplo o de Radiologia, uma das provas específicas é Física e não Química que seria necessário para concorrer para medicina.

Carolina G. Escreveu:Ninguém de bom senso deixará de considerar isto como uma provocação


Há já alguns anos que no nosso país pensar de modo diferente não significa provocar e ofender. A discórdia promove o desenvolvimento de um país pois permite o fluir de novas ideias.
Este senhor está a querer travar a corrente de um rio com as mãos…


Carolina G. Escreveu: ao MCTES e não aceitará qualquer cedência do ministério.


Não será isto uma tentativa de propaganda e manipulação barata? Parece-me que sim…

Carolina G. Escreveu:Tudo isto é, a meu ver, um exemplo de novo-riquismo académico, fruto de exacerbados egos e auto-estimas, que são os piores inimigos de todos os muitos professores politécnicos que muito prezo e que antes preferem, e muito bem, valorizar-se na natureza específica e importância do seu sub-sector


Qual será a opinião deste senhor em relação a cursos como o de direito e arquitectura por exemplo? Vejamos: o curso de direito ficará uma licenciatura de 5 anos enquanto que no resto do mundo é de 3 anos, o mesmo se passará com o de arquitectura.
Não será isto também “fruto de exacerbados egos e auto-estimas”? Não sei. Só me parece lógico que cursos como os das TS sendo da área da prestação de cuidados de saúde, tendo responsabilidades acrescidas pela sua matéria prima ser a promoção da saúde no próprio ser humano, ter 4 anos de licenciatura 3 teóricos mais 1 de pratica clínica.

Carolina G. Escreveu:Um higienista oral é hoje uma pessoa que me dá conselhos úteis e muito bem


Resumir a actuação de um HO a conselheiro?
Dou um conselho a este senhor: ver as competências de um Higienista Oral! Não se deve falar sem ter conhecimento de causa…

Carolina G. Escreveu:No entanto, a enorme maioria das suas horas de trabalho vai ser a fazer a simples destartarização, coisa que sempre me fez muito eficientemente a ajudante do meu dentista


Cuidados de saúde prestados eficientemente por ajudantes de dentistas? Em que mundo vive este senhor? Será que estaria também contente se eu fosse ajudante de um neurocirurgião e lhe fizesse uma “simples” lobotomia?

Carolina G. Escreveu:Para isto, os actuais licenciados aprendem coisas como histologia e embriologia oral, microbiologia, cariologia (mas vão também tratar cáries?)


Carolina G. Escreveu:Outros casos são mais preocupantes porque apontam para um extravasar da actividade profissional do higienista oral (HO). Farmacologia: o HO vai receitar?


Aqui está o âmago da questão….O problema deste senhor é o medo da aquisição de conhecimentos por parte de alguns profissionais de saúde sob pena de haver um “extravasar da actividade profissional”. Não é isto um exemplo de corporativismo? O lobo tira agora a pele de cordeiro…

Carolina G. Escreveu:Emergências médicas: o que são para um HO, a não ser que voltemos a falar de cáries ou até de abcessos.


Intitula-se este senhor de médico? Se um doente a ser consultado por um HO perder a consciência não deverá ser assistido prontamente por esse profissional de saúde? É assim tão estranho a presença dessa disciplina no curso? Quando o curso de medicina na sua licenciatura tem a disciplina de psicologia significa que todos os licenciados em medicina têm competências para fazer consultas de psicologia?

Carolina G. Escreveu:Já escrevi que a verdadeira "janela de oportunidades" para o politécnico são os CET. As escolas de saúde acham que não, é o problema delas.


Pois…as universidades conferem os graus de licenciaturas e os politécnicos de cursos tecnológicos. Ó tempo volta para trás… que saudades dos anos 50 que este senhor deve ter!

Carolina G. Escreveu:Ainda há tempos, fiz um ECG num hospital e o maqueiro levou-me à Sra. Dra. Colocou-me os eléctrodos e carregou no botão para começar o ECG. Meteu-o no envelope e mandou para o médico. Será que ela sabia ler o ECG?


Este senhor não pediu a interpretação do exame e assumiu que a cardiopneumologista não o soubesse fazer. Ainda insinuou que todos os cardiopneumologistas fossem assim reduzindo a sua área de actuação a um simples “carregar nos botões”.
Quantas radiografias mal interpretadas por médicos? Quantos ECGs? E no final ainda temos de os corrigir para o doente não ir com um diagnóstico errado para casa.
Diz-se este senhor de professor do politécnico? O traje realmente não faz o monge…

Carolina G. Escreveu:Mais uma vez, disciplinas que considero essenciais: anatomia ocular, fisiologia da visão e da refracção, doenças da refracção, óptica e, até vou mais longe, materiais ópticos, estética facial. Mas outros mimos? Garanto, que não estou a brincar, precisam também de análise matemática, bioquímica e fisiologia da célula, microbiologia e infecção (são optometristas ou oftalmologistas?) e até, entre muita coisa mais, organização e gestão de empresas! Mais uma vez, optometria não é um CET?


Isto deve ser uma anedota, estudar ciências da visão sem análise de matemática? Mas afinal quem é que escreveu este texto? Deve haver algum engano…
Mais uma vez a problemática existencial do autor, a eterna dúvida que lhe deverá tirar horas de sono durante a noite. “São optometristas ou oftalmologistas”?
Deixo aqui um ideia a este senhor: na sua magnificência declare que a partir deste momento certas disciplinas sejam de acesso exclusivo do curso de medicina e dos médicos, sendo qualquer violação do disposto punível pelo Código Penal até ás instancias máximas.


Carolina G. Escreveu:No sector privado, é um abuso do consumidor desprevenido e mal informado, com grave lesão económica das famílias."


Pois…para finalizar só mesmo faltava o último condimento: a demagogia.
Se este senhor está tão preocupado com as famílias enganadas portuguesas tem duas alternativas: 1- pedir de imediato a diminuição do seu ordenado e das propinas da ERISA ou 2- demitir-se para não ser conivente com esta situação.
O meu conselho – opção nº2, com este texto corporativista e faccioso não deverá ser professor de curso algum das Tecnologias da Saúde.

Resumindo:

Curso de Enfermagem-> 4 anos de licenciatura Universitária
Cursos das TS-> a titulo excepcional 3 anos de licenciatura Politécnica e o restante a CET

Carolina G. Escreveu: uma certa acção concertada me tem apresentado como incompetente, parcial, faccioso e expoente de um lóbi, presumo que o médico.


Se esta acção concertada fosse uma associação, depois do que li, eu inscrevia-me para ser sócio efectivo!

É claro o desrespeito pelas nossas profissões, e a deturpação dos conceitos e competências que definem quem nós somos.

É claro o seu medo, da aquisição de conhecimentos nas escolas que ministram cursos das TS por parte dos alunos, disfarçado de “preocupação”.

Está claro o futuro promissor que os nosso cursos terão daqui para a frente e que já começam assustar e incomodar certas pessoas que irão a todo o custo travar esta evolução.

Este texto é um reflexo disso e uma prova de que vamos no bom caminho! E o autor deste texto sabe-o.

Com os melhores cumprimentos

Sérgio Martins
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Mensagempor Carolina G. em Terça, 30 Maio 2006 17:36

Vejo que o texto que encontrei suscita reacções fortes e, acima de tudo, serviu para estimular o debate.

À parte as insinuações inscritas neste texto, é para mim realmente importante reflectir nestes pontos:

1-será mesmo necessário termos um primeiro ciclo de quatro anos quando o acesso à nossa profissão se faz, ainda hoje, com um curso de três. Sei que a transformação dos nossos cursos em licenciaturas de 4 anos é recente, que muito se batalhou para que os cursos passassem primeiro a bacharelato e depois a licenciatura,... Contudo, o acesso à profissão continua a fazer-se com o bacharelato.... Com a agravante de a licenciatura não ser "recompensada" com entradas diferenciadas na carreira e/ou no vencimento.

2-se pensarmos que Bolonha é (tem de ser!) mais do que alteração da duração dos cursos, podemos chegar à conclusão que se mudarmos curriculuns, disciplinas, métodos de ensino, poderemos eventualmente ter, em três anos, uma licenciatura altamente qualificante, compensatória, incisiva. Digamos que ficariamos com o sumo da laranja. A fibra/palha seria retirada. Naturalmente que determinadas áreas do saber menos exploradas, mas pelas quais o aluno desenvolvesse interesse, poderiam sempre ser exploradas ou nas disciplinas de opção, ou na escolha do segundo ciclo.

3- acima de tudo, é uma oportunidade de coerência. Coerência com a europa e coerência com os cursos congéneres que existem em Portugal.
Não se trata simplesmente de saber se os cursos serão 4+1 ou 3+2,... Trata-se também de perceber se faz sentido haver duplicação de licenciaturas em determinadas áreas. A meu ver, é nisso que devíamos batalhar. Não me canso de repetir na incongruência dos paralelismos téc. farmácia/farmacêutico; dietista/nutricionista; tec.radiol/radiologistas,... A meu ver, deveríamos defender a nossa formação tecnicista, enquadrada na nossa carreira, mas compreender e procurar formas de realmente compensar mais investimento em formação.
A título de exemplo, temos aqui no fórum uma discussão interessante dos colegas de radiologia sobre o termo que deve designar a sua formação. Para mim, o que está realmente subjacente a esta discussão (como em tantos outros cursos) é a valorização/comparação de graus de formação. Quero com isto dizer que os colegas sentem necessidade de adaptar a sua designação a uma nova realidade (licenciatura), mas sabem que correm o risco de ser confundidos com a licenciatura médica já instalada.... Teoricamente, penso que o correcto seria deixar sempre diferentes as duas designações: se um é tec. radiologia o outro pode ser radiologista; mas se os colegas ficarem como radiologistas ou outros deverão identificar-se sempre como médicos de radiologia ou médicos radiologistas.
Discussão semelhante surgiu na área de farmácia: téc. farmácia ou farmacoterapeuta? Como ninguém conhece este termo, seriamos automaticamente "equiparados" a farmacêutico.
Ora aqui é que está a incongruência, porque aparentemente todos lutam pela sua individualidade, que no final, pode não existir!

O que me parece importante, é que os nossos cursos, mais profissionalizantes, deveriam obrigatoriamente contemplar saídas de formação "transversais" e não apenas verticais (pós-graduações, mestrados, doutoramentos, póst-docs,...).
A somar a isto, as competências profissionais deveriam estar perfeitamente bem atribuidas, o que hoje não acontece e contribui grandemente para o problema...

Resumindo, e a título de exemplo, pode acontecer que cheguemos à conclusão que tem mesmo que se ter uma formação em medicina para se estar habilitado a ler eficazmente um dado relatório; se eu ambiciono progredir na minha formação deveria poder entrar livremente nessa formação, ter equivalências justas e evoluir...Isto sim, seria um processo transparente e penso que é também nisto que nos devemos unir!


Se nada fizermos, veremos provavelmente apenas a pior face de Bolonha: menos anos de formação comparticipada. Não temos ninguém para nos defender a não ser nós mesmos. Nenhuma Ordem vai exigir o mestrado integrado essencial para o exercício; por isso, pagaremos ainda mais pelos nossos mestrados. E nada mudará. Continuaremos com a mesma carreira, continuaremos a tirar mestrados que, à parte o investimento em formação pessoal, nada significam...

Que futuro queremos para a nossa profissão? Que futuro é realmente possivel?
Carolina G.
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Mensagempor Axe em Terça, 30 Maio 2006 20:21

Depois de tanto se escrever acerca deste texto, aqui vai a minha opinião:

Em primeiro lugar, julgo que nem todos os pontos enumerados pelo João Vasconcelos Costa estão incorrectos, mas o seu comentário parece ter sido redigido durante os anos 80 e não no início do século XXI, prova disso mesmo é que este senhor ainda é daquela velha guarda que julga que os TDTs não são mais do que simples criados dos médicos, dispostos a fazer tudo o que estes lhes pedem, de olhos fechados e sem qualquer opinião crítica!
No fundo, parece que este senhor tem receio do conhecimento do próximo. Faz lembrar o Salazar, que não promovia a educação, com medo que o povo ficasse a saber mais do que o necessário e o conveniente.

Acontece que, nos dias que correm, a saúde não se resume à imagem do velho médico que tudo fazia e mandava fazer, que corria as aldeias a curar os doentes, acompanhado de uma velha enfermeira, e a receitar os seus unguentos aos pobres enfermos. A saúde do século XXI abrange diversas áreas multidisciplinares, áreas que dependem de pessoal bastante especialidado e com uma vasta gama de conhecimentos, capazes não só de saber-fazer, mas de saber-saber.

Há uns anos atrás, os "preparadores de análises" (é verdade, era assim que eram designados, apesar do ridículo do nome) limitavam-se a fazer alguns passos preliminares na execução de análises, que eram depois solenemente executados pelo sr. Dr. Hoje em dia, com o advento das novas tecnologias e com o aprofundamento dos conhecimentos na área da saúde, os técnicos de análises clínicas são pessoas com um profundo conhecimento daquilo que estão a fazer. Recolhem, acondicionam e realizam análises, discutem acerca de diagnósticos e muitas vezes aconselham técnicos superiores. É por isso que os técnicos portugueses são um bom exemplo apontado pelos restantes parceiros europeus. Ao que parece, este senhor quer que as coisas voltem para trás, que o médico volte a ser o chefe supremo da sua secção, rodeado de criados prontos a obdecê-lo... ridículo

Acerca da questão da duração dos cursos das tecnologias da saúde, não me posso pronunciar acerca de cursos cujo plano curricular desconheço, mas acerca das analises clinicas, julgo que três anos (bem concentrados, ie, com uma carga horária superior à actual), serão suficientes, isto, se excluirmos o estágio! Não se podem formar técnicos de saúde sem, pelo menos um ano lectivo de estágio. Ora, se se quiserem implementar os três anos para os nosso cursos, o que restará de aulas teóricas?! 2 anos?! Impossível !! Dada as diversas áreas em que se desdobram as análises clínicas, julgo que é claramente insuficiente! Por isso, defendo o sistemna de 3 anos +1 de estagio (para as análises clinicas). Quanto ao 2º ciclo, julgo que seria adequado para contemplar áreas mais específicas da profissão, ou seja, áreas que não constituem a rotina normal (essas seriam todas leccionadas no 1º ciclo).
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Mensagempor Sérgio Martins em Terça, 30 Maio 2006 21:09

Caro colega José Machado,

Foi com muito agrado que li o seu comentário. Neste campo estamos em sintonia.

A questão é mesmo essa, 3 anos de teoria e 1 de prática, é o mínimo que se pode exigir.

Grande Abraço

Sérgio Martins
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"a educaÇÃo para as tecnologias da saÚde

Mensagempor Antonio Freitas em Terça, 30 Maio 2006 23:54

O texto que o Sr. João Vasconcelos Costa escreve, é muito redutor da realidade das (TS).
Ele revela um total desconhecimento da história das TS e o porque de tanta agitação do processo de bolonha nas (TS).
Estou convencido, que essa falta de conhecimento e sensibilidade é devido à sua formação académica de base. Parece, que faz parte dos seus colegas que tratavam as TÉCNICAS nos Hospitais por Marias.
Porque não chega ter experência de ensino nas (TS), é preciso perceber e entender as (TS).
Não é verdade que as (TS) seja uma mina, especialmente para os fracassados da Medicina, porque nas principais escolas estes não tem cabimento porque o grau de exigência é muito elevado. O que pode dizer, é que os alunos das (TS), tinham vergonha do curso e misturavam-se com os alunos de Medicina para serem reconhecidos como tal.
A questão do desemprego, está relacinado com o aumento do numero de Escolas e aqui a culpa é do governo e não dos fracassados.
Para se ter opinião sobre determinado assunto, não é necessário ridicularizar os outros, neste caso as outras profissões. Sobre este assunto muito se poderia dizer sobre a sua.
Por fim e se me permite, sugeria que o Sr. João Vasconcelos Costa, se informa-se sobre o que está em causa no processo de bolonha e as implicações que pode ter nas carreiras dos actuais e futuros Profissionais das Técnologias das Saúde.
cumprimentos,
Antonio Freitas
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Mensagempor Fernando Leite em Quarta, 31 Maio 2006 02:50

Olá ! Depois de perder uma boa meia hora a lêr todas estas resposta, deixo aqui a minha opinião sobre o assunto: :)

:arrow: Sobre o texto do Sr. João Vasconcelos Costa

À excepção de uma ou outra coisa que ele diz que até pode ser verdade,o resto do discurso é completamente desajustado, falacioso e arrisco mesmo a dizer "maldoso" e representa uma atitude/mentalidade de uma classe médica, que julgo cada vez mais rara (felizmente) que como já aqui foi dito tratava os outros profissionais por meros empregados.

Falando da Radiologia, que é a minha especialidade, e falando dos conhecimentos científicos que o Sr supracitado tanto desprezou, quero dizer que enorme é a diferença de reconhecimento/tratamento que um médico Radiologista tem em relação a um técnico de radiologia competente quer técnicamente, quer pelo seu conhecimento científico.

Isso nota-se muito bem principalmente em áreas como o TAC e a Ressonância Magnética, onde um técnico que tenha conhecimento das patologias que as imagens apresentam, seja um bom executante quer em eficacia/rapidez, podem crer ( e já experimentei isso na "pele" ) tem um reconhecimento e uma estima valorizada, que aparece com o tempo,por parte dos Radiologistas.

Ou seja o que quis dizer é que de muitos médicos que conheço hoje em dia, tratam o técnico de Radiologia como uma parte essencial do seu trabalho, reconhecem-nos o valor devido, principalmente quando o técnico mostra conhecimentos científicos mais do que o simples "carregar no botão".

:arrow: Quanto ao processo de Bolonha e falando mais uma vez da Radiologia:

O que eu defendo é um curso 3+2 sendo os primeiros 3 anos de aprendizagem científica e os outros 2 de prática clinica. 2 anos porque muita gente concorda ( eu também ) que o tempo que é dado aos alunos de Radiologia para fazerem pratica das diferentes modalidades é muito pouco, acontecendo frequentemente que o aluno saí do curso muito bem preparado para realizar exames de radiologia convencional ( disciplina à qual é atribuida muitas mais horas de estágio ) e saí mal preparado para realizar por exemplo TAC´s e Ressonâncias Magnéticas, porque não é possivel dar tempo suficiente para as praticar nas horas que seriam necessárias.

Eu por exemplo fui um caso entre muitos. Saí muito bem preparado em convencional e o TAC (posso dizer isto sem receio) foi a minha entidade patronal que praticamente me formou. Partindo quase do "zero" precisei ainda de uns pares de meses para dominar na plenitude esta técnica.

Hoje em dia, com a massificação dos aparelhos de TAC e RM por varias clinicas privadas e hospitais é imperativo ao aluno da Radiologia um pratica intensiva, durante alguns meses de todas estas valências.

-----------------------------------------------------------------------------------

Agora deixo eu aqui a minha pergunta, que julgo ser importante nesta fase:

O que poderemos nós fazer, enquanto um número de colegas que se reuniu à volta de um tema tão importante neste espaço web, para contribuirmos, seja de que maneira fôr, para levarmos o barco a bom porto ?

O que poderemos fazer juntos ?
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Fernando Leite
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Mensagempor Carolina G. em Quarta, 31 Maio 2006 16:07

Ora aí está uma excelente pergunta!
Mas penso que em primeiro lugar, teríamos de compreender a fundo o que já se fez para as diversas áreas das tecnologias. Apresentaram todas programas de 4 anos? Estão previstas "equiparações" de cursos ou alterações nas carreiras em função do grau de formação?

A questão é que me parece que não saberemos o que fazer enquanto tudo o que já se tiver feito não for transparente. Um colega falou atrás das possibilidades de carreira que Bolonha trás... O que está em cima da mesa? Depois ter-se-á que encontrar uma solução de conjunto, mesmo que haja diferenças entre cursos.

De qualquer forma, o timing não é o ideal para agir (parece-me)... Seria óptimo todos nos entendermos e sabermos do que estamos a falar (e este é o derradeiro momento para isso), mas agora há que esperar pela divulgação pelo ministério dos cursos aprovados. Contudo, logo que saia, e no caso de não ir de encontro ao que julgarmos ser imprescindível, poderemos pelo menos apresentar uma proposta e tomar uma posição pública, que poderá ser também enviada às entidades intervenientes no processo.

Um bom passo seria cada um de nós reflectir a fundo na sua área, analisar o que considera serem as competências básicas de actuação, níveis de responsabilidade,...., e deduzir quantos anos serão necessários para atingir esse nível. Verificar sobreposição de tarefas e responsabilidades com outros cursos. Analisar de que forma pode haver entendimento e transparência...

Gostaria de deixar esta ligação para consulta:
http://www.snesup.pt/dossiers_diversos/ ... _saude.pdf

Quanto mais não seja é um bom exercício teórico e de análise do contexto da profissão!
Carolina G.
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Mensagempor Plumpi em Quarta, 31 Maio 2006 18:10

O momento em que o MCES divulgar os cursos aprovados para 4 anos, será tarde demais para nos manifestarmos, na minha opinião. O impacto das nossas profissões na sociedade contemporânea portuguesa é diminuto. Arrisco-me a dizer que uma percentagem bem elevada da população não sabe sequer da nossa existência, muito menos das nossas condições de trabalho, das nossas dificuldades, da nossa importância no sistema de saúde. Já estamos há tempo demais sossegadinhos, politicamente correctos acomodados no nosso nicho à espera que um milagre caia do céu. Quantos médicos e enfermeiros já fizeram greve a reivindicar os seus direitos? E nós? Quantos TDT's saíram à rua em protesto? A verdade é que não temos visibilidade e "longe da vista longe do coração", isto é, caímos facilmente em esquecimento.

Para responder aos colegas RAM e Fernando Leite, as informações de que disponho advêm da minha participação junto da AE da ESTeSL, pelo que vos informarei sempre que souber algo de novo.
Hoje, por exemplo, soube que a Universidade Católica está muito próxima de abrir no próximo ano lectivo um curso intitulado "Tecnologias da Saúde" o qual vai ter 2 anos em comum e um 3º ano no qual os alunos poderão seguir a área de cardiopneumologia, dietética, farmácia, entre outros.. (penso que radiologia e radioterapia não estarão incluídos).

Saudações radiológicas,
Marta Oliveira
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Mensagempor Axe em Quarta, 31 Maio 2006 20:19

Fernando Leite Escreveu: :arrow: Quanto ao processo de Bolonha e falando mais uma vez da Radiologia:

O que eu defendo é um curso 3+2 sendo os primeiros 3 anos de aprendizagem científica e os outros 2 de prática clinica. 2 anos porque muita gente concorda ( eu também ) que o tempo que é dado aos alunos de Radiologia para fazerem pratica das diferentes modalidades é muito pouco, acontecendo frequentemente que o aluno saí do curso muito bem preparado para realizar exames de radiologia convencional ( disciplina à qual é atribuida muitas mais horas de estágio ) e saí mal preparado para realizar por exemplo TAC´s e Ressonâncias Magnéticas, porque não é possivel dar tempo suficiente para as praticar nas horas que seriam necessárias.
De facto, julgo que os 2 anos de prática clínica seriam o ideal para os nossos cursos, dada a vertente prática que nos é exigida quando estamos a trabalhar. No entanto, julgo que o ministério jamais aprovaria tal proposta.
Dando agora o exemplo das análises clínicas, e para quem não sabe, elas dividem-se em 4 ramos principais, que, em separado, davam para fazer 4 cursos distintos, e podem crer que não estou a exagerar, são eles a microbiologia, a química clínica (bioquímica clínica), a hematologia e a imunohemoterapia (imunohematologia). Com 4 áreas gerais, já para não mencionar outras de carácter mais específico, e dividindo o ano lectivo em 4 partes, ficam cerca de 2 meses para cada área. Acreditem que é insuficiente, principalmente em áreas mais práticas, como a microbiologia.

Plumpi Escreveu:Já estamos há tempo demais sossegadinhos, politicamente correctos acomodados no nosso nicho à espera que um milagre caia do céu. Quantos médicos e enfermeiros já fizeram greve a reivindicar os seus direitos? E nós? Quantos TDT's saíram à rua em protesto?
Também já me interroguei diversas vezes a esse respeito, mas quanto mais penso no assunto, mais baralhado fico... Eu e um colega meu já estivémos a magicar uma forma de protesto que causasse impacto, mas acabávamos sempre por pensar que não haveria adesão, os próprios estudantes dos dias de hoje são muito pouco reivindicativos...

Plumpi Escreveu:Hoje, por exemplo, soube que a Universidade Católica está muito próxima de abrir no próximo ano lectivo um curso intitulado "Tecnologias da Saúde" o qual vai ter 2 anos em comum e um 3º ano no qual os alunos poderão seguir a área de cardiopneumologia, dietética, farmácia, entre outros.. (penso que radiologia e radioterapia não estarão incluídos).
Aí está mais um bom exemplo da tal mina falada anteriormente.

E quem é que vai aprovar este(s) curso(s)?! Gostava de ouvir a sua justificação... Hoje ouvi dizer que o estado ia encerrar por definitivo um curso de hotelaria que é leccionado há cerca de 10 anos em Felgueiras, e que já tinha sido diversas vezes avisado para ser terminado, a verdade é que ele continuava a decorrer... coisas estranhas se passam no nosso país :roll:
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Mensagempor Carolina G. em Sábado, 03 Jun 2006 23:56

Caros colegas:

Encontrei página na net onde se faz a actualização dos cursos que vão sendo aprovados pelo ministério segundo o processo de bolonha:
http://www.pedagogicosensinosuperior.pt ... EGISTO/Notícias/RegAdeq.htm

Reparem que a grande maioria dos cursos oficialmente aceites são de 3 anos e não encontrei nenhum da nossa área (directa).
É também interessante reparar que estão a mudar o nome de alguns cursos, embora não de forma tão radical como o CRUP (conselho de reitores das universidades portuguesas) sugeriu:

http://jvcosta.planetaclix.pt/Ensino_Superior_final.pdf
http://jvcosta.planetaclix.pt/anexo1.xls
http://jvcosta.planetaclix.pt/anexo2.doc
http://jvcosta.planetaclix.pt/anexo3.pdf

Para já posso dizer que, se estivesse a pensar ser socióloga estaria neste momento com um dilema: três anos na universidade de lisboa; três e meio na privada de lisboa (ISSSL) ou quatro na de trás-os-montes? Será que a mais anos corresponde mais saídas/colocações? Ou será apenas um gasto de tempo e dinheiro?

Reparem nos mestrados aprovados.

Mais comentários?
Carolina G.
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Mensagempor Carolina G. em Segunda, 05 Jun 2006 21:41

Após rever com um pouco mais de atenção a lista, reparei num erro da minha parte. Dos cursos que mencionei, um é realmente de sociologia, mas os outros são de assistente social. Contudo, continua a existir uma diferença na duração do curso, consoante o local que o administra...
Penso que um deles será mais completo (o mais longo), porque contempla percursos alternativos, que funcionarão como diplomas de especialização, penso eu.
Será que chegou realmente a competitividade entre escolas/institutos/faculdades?

Vamos aguardando mais novidades...
Carolina G.
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Mensagempor adonato em Segunda, 05 Jun 2006 22:29

Ena o tanto que já se escreveu aqui :shock:

Bem não devo acrescentar nada de novo, só acho mesmo que o discurso do tal Dr. é piadético na sua maioria. Pelo menos não conheço esse tipo de pensar e essa atitude em nenhum dos médicos com quem trabalho.

Agora quanto aos 3+2 ou 4+1, sinceramente o que é necessário é haver ensino com qualidade !

Quando digo qualidade refiro-me a aulas teóricas dadas com temas de interesse, e dado por pessoas com craveira didáctica ( não é arranjar um qualquer jeitoso que até entende da matéria e metê-lo de pára quedas nas escolas ), e mais fundamental o que necessitamos são de boas aulas práticas onde o aluno saia bem preparado.

O que adianta sermos 4+1 e depois esses tais 4+1 são dados em tudo o que é canto esquina ( às vezes sem qualidade nenhuma, com alunos que se atropelam nos hospitais e clinicas privadas).

E mais... Longe está por resolver o problema do "boom!" de profissionais que estão a sair para o mercado de emprego todos os anos.

Vamos formar 4+1 ( com todos os gastos que isso envolve para as famílias ) e depois vamos mandá-los para o estrangeiro ?

É preciso que haja saída professional !!!!!!!!!
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Mensagempor Vítor Manteigas em Sexta, 09 Jun 2006 02:19

Relativamente ao modelo a ser adoptado, obviamente é do nosso interesse que seja adoptado o modelo 4+1 pois é este que permite uma Licenciatura base de 4 anos


Não li o que entretanto se escreveu depois disto. Juro que o vou fazer, mas p'ra já, um comentário: "Licenciatura base de 4 anos" não é justificação para o modelo 4+1. Para que seja aprovado o modelo 4+1 é preciso muito mais que isso.

Por solicitação da direcção de um instituto onde se leccionou um curso de tecnologias da saúde, apresentei uma proposta de adequação à (porra) do Processo de Bolonha.

Sempre defendi os 3+2, por uma enormidade de razões que vos posso apresentar e que na sua maioria estão claramente evidenciadas no Decreto-Lei n.º 74/2006, de 24 de Março. Basta lê-lo com atenção.

Em função de uma pretensa "uniformidade" das propostas a apresentar por todas as escolas, pediram-me um 4+1. Fi-lo a custo e sem qualquer tipo de convicção de estar a contribuir significativamente para uma melhoria do ensino/aprendizagem.

Agora, de repente, parece que todos abriram os olhos (todos... os olhos) e viram que mais importante que a união, é a razão.

Só por curiosidade, pergunto: (i) Há diferenças relevantes ao nível do desempenho (qualitativo) entre profissionais bachareis e licenciados?; (ii) Quem fez o quarto ano de complemento, após alguns anos de exercício, reconhece (conscientemente) o último ano como uma mais valia para a sua actividade??; (iii) Não quererão as escolas adoptar o modelo 4+1 para perpétuar alguns poleiros de docência que se verificam actualmente, assim como garantir o financiamento ad eterno de alguns cursos??

Saudações ambientais,
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Mensagempor Fernando Leite em Sexta, 09 Jun 2006 22:33

Vítor Manteigas Escreveu:Sempre defendi os 3+2, por uma enormidade de razões que vos posso apresentar e que na sua maioria estão claramente evidenciadas no Decreto-Lei n.º 74/2006, de 24 de Março. Basta lê-lo com atenção.


Eu defendo o 3+2 pelas razões acima citadas noutro "reply" meu deste tópico. Quatro anos de licenciatura é um exagero tremendo pois acredito que não existe materia suficiente para completar todas as horas de ensino e fazer um 4+1 é encher os curso com disciplinas de "palha" que depois não vão trazer benefício nenhum ao profissional.

Vítor Manteigas Escreveu:Só por curiosidade, pergunto: (i) Há diferenças relevantes ao nível do desempenho (qualitativo) entre profissionais bachareis e licenciados?;


Pois não parece... Tanto bachareis como licenciados trabalham da mesma maneira...

(ii) Quem fez o quarto ano de complemento, após alguns anos de exercício, reconhece (conscientemente) o último ano como uma mais valia para a sua actividade??;


Não... Exatamente por causa da matéria de "palha" com que encheram os quartos anos em vez de apostarem mais em prática clinica.


(iii) Não quererão as escolas adoptar o modelo 4+1 para perpétuar alguns poleiros de docência que se verificam actualmente, assim como garantir o financiamento ad eterno de alguns cursos??


Eu aqui sinceramente quero acreditar que o intuito é uniformizar os cursos todos na comunidade europeia ( e não só ), o que permitiria ao aluno por exemplo, começar a estudar para Técnico de Radiologia em Portugal e acabar o mesmo curso por exemplo na Holanda, já que os cursos seriam todos iguais em todos os países.
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Mensagempor Carolina G. em Sábado, 10 Jun 2006 08:22

Curiosidades de Bolonha:

-Arquitectura foi aprovada na Universidade Independente como um mestrado integrado (5 anos obrigatórios de formação, com equivalência a mestrado); naturalmente que se espera que o valor da propina seja igual durante todos os anos deste curso; Mais cursos se esperam que sejam brevemente aprovados nestas condições, como Medicina, Ciências Farmacêuticas,... ao abrigo dos tão falados acordos internacionais...

-Por intermédio de colegas psicólogas sei que, apesar do curso de psicologia ser agora de 3 anos, só poderão exercer como psicólogas quando terminem o mestrado e consigam inscrição na sua muito recente Ordem. Antes disso serão apenas Licenciadas em Psicologia.
Suspeito que igual processo se passe com outras áreas, como com direito. O principal problema é que nestes, o mestrado terá valor diferente da licenciatura, mas à partida já existirão algumas saídas profissionais para o primeiro ciclo.

-Existência de minors e majors em alguns cursos, como especializações curriculares. Ainda não percebi bem a diferença, mas lá chegaremos...

-Quiça já terá sido aprovado o primeiro curso da área das tecnologias da saúde (na Universidade da Beira Interior, salvo erro). Aguardo confirmação dos colegas de Ortoptica...
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Mensagempor Fernando Leite em Sábado, 10 Jun 2006 09:40

Carolina G. Escreveu:-Quiça já terá sido aprovado o primeiro curso da área das tecnologias da saúde (na Universidade da Beira Interior, salvo erro). Aguardo confirmação dos colegas de Ortoptica...


Acho estranho que isso possa ter acontecido :shock:

O que é estranho é que muitos cursos andam a aparecer e a tentarem "penetrar" ( não sei se à força ou não ) nas Tecnologias da Saúde. Dois exemplos:

:arrow: Gerontologia
:arrow: Marketing Farmacêutico

Mas de qualquer maneira tenho dois ortoptistas no meu messenger, e quando apanhar um deles pergunto-lhes sobre esse assunto ( isto se nenhum responder no topico que colocaste no sub forum de Ortoptica ) :wink:
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Mensagempor Sérgio Martins em Domingo, 11 Jun 2006 15:55

Só por curiosidade, pergunto: (i) Há diferenças relevantes ao nível do desempenho (qualitativo) entre profissionais bachareis e licenciados?; (ii) Quem fez o quarto ano de complemento, após alguns anos de exercício, reconhece (conscientemente) o último ano como uma mais valia para a sua actividade??; (iii) Não quererão as escolas adoptar o modelo 4+1 para perpétuar alguns poleiros de docência que se verificam actualmente, assim como garantir o financiamento ad eterno de alguns cursos??


Caros Colegas

As licenciaturas nos cursos das tecnologias da saúde foi um dos maiores

marcos, senão o maior, da história das nossas profissões.


Relativamente ás questões acima citadas gostaria de fazer os seguintes

comentários:


1-A diferença entre um bacharel e um licenciado não se limita ao seu

desempenho qualitativo, aí realmente poderá não haver grandes diferenças.

Um licenciado adquire novas competencias que um bacharel não

tem, isso faz com que assuma uma nova postura perante os outros

profissionais de saúde.




2- Já realizei o quarto ano, e como licenciado, reconheço plenamente a

licenciatura como uma mais valia.



3- Como se formarão profissionais de saúde em 3 anos? 2 anos de

ensino teórico mais 1 de prática clínica? É o suficiente? O que acontecerá

à nossa classe perante a possibilidade de enfermagem ficar com 4 anos,

medicina 6 e ciências farmaceuticas 5 anos? Se isto acontecer como

iremos pedir igualdade de regalias, autonomia e direitos em relação à

carreira de técnicos superiores de saúde? Não acham que o problema

passa também por aqui?


Como Licenciado em Radiologia afirmo que licenciaturas de 3 anos irão

ser extrememente negativas para nós. Lamento que nem todos

partilhem desta visão.


É importante manter a união e não permitir que alguns senhores de

comportamentos egocêntricos e facciosos totalmente alheios há situação

actual da educação das Tecnologias da Saúde nos influenciem.


O colega ao dispor

Sérgio Martins
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Bachareis e licenciados

Mensagempor Ana Almeida em Domingo, 11 Jun 2006 20:50

Sérgio Martins Escreveu:
Só por curiosidade, pergunto: (i) Há diferenças relevantes ao nível do desempenho (qualitativo) entre profissionais bachareis e licenciados?; (ii) Quem fez o quarto ano de complemento, após alguns anos de exercício, reconhece (conscientemente) o último ano como uma mais valia para a sua actividade??; (iii) Não quererão as escolas adoptar o modelo 4+1 para perpétuar alguns poleiros de docência que se verificam actualmente, assim como garantir o financiamento ad eterno de alguns cursos??


Caros Colegas

As licenciaturas nos cursos das tecnologias da saúde foi um dos maiores

marcos, senão o maior, da história das nossas profissões.


Relativamente ás questões acima citadas gostaria de fazer os seguintes

comentários:


1-A diferença entre um bacharel e um licenciado não se limita ao seu

desempenho qualitativo, aí realmente poderá não haver grandes diferenças.

Um licenciado adquire novas competencias que um bacharel não

tem, isso faz com que assuma uma nova postura perante os outros

profissionais de saúde.




2- Já realizei o quarto ano, e como licenciado, reconheço plenamente a

licenciatura como uma mais valia.



3- Como se formarão profissionais de saúde em 3 anos? 2 anos de

ensino teórico mais 1 de prática clínica? É o suficiente? O que acontecerá

à nossa classe perante a possibilidade de enfermagem ficar com 4 anos,

medicina 6 e ciências farmaceuticas 5 anos? Se isto acontecer como

iremos pedir igualdade de regalias, autonomia e direitos em relação à

carreira de técnicos superiores de saúde? Não acham que o problema

passa também por aqui?


Como Licenciado em Radiologia afirmo que licenciaturas de 3 anos irão

ser extrememente negativas para nós. Lamento que nem todos

partilhem desta visão.


É importante manter a união e não permitir que alguns senhores de

comportamentos egocêntricos e facciosos totalmente alheios há situação

actual da educação das Tecnologias da Saúde nos influenciem.


O colega ao dispor

Sérgio Martins


Entre bachareis e licenciados existe diferença sim! a licenciatura é uma mais valia, é um aprofundar dos conhecimentos adquiridos no exercicio profissional para quem já fez o bacharel há muito e para os da continuidade tambem reverte da mesma forma. O ideal seria que o 3º e 4º ano fossem estagios em simultaneo com as componentes curriculares e mais um ano de investigação (mestrado). Quando se fala na enfermagem fico muito preocupada, não nos podemos esquecer que sempre foram cursos de ambito geral hoje já têm especializações; cuidado e abram bem os olhos porque é uma classe que tem sabido lutar ao longo dos tempos e rumam sempre a favor dos ventos eles não se deixam apanhar, antecipam os acontecimentos e preparam-se.
Falo com conhecimento de causa, iniciei em 1981 na Escola de Enf. Artur Ravara, depois desisti e no mesmo ano concorri para Radiologia acabei em 1985. Tenho a dizer que desde o 1º ano de enfermagem os alunos são mentalizados para a luta e defesa da sua profissão, deste modo devemos de seguir o seu exemplo e não debatermo-nos por assunto futeis, merecemos respeito, mas para isso é necessario união, boa conduta, e demonstrar a quem nos quer desmoralizar que somos uma classe profissional com muita importancia na saude; já para não faler em certas especialidades dos T.D.T.'s, como a Radiologia ,as Analises,a Radio terapia ,...e outros se pararem quem nos pode substituir? os enfermeiros? os médicos? não brinquem com o fogo!!!! juntos temos um poder enorme, porque não tentamos???, já repararam o que acontece quando há uma avaria nos meios de diagnóstico nos hospitais? cai o Carmo e a Trindade, parecem baratas tontas, pois é!!!! somos o veiculo do sucesso da medicina, já pensaram nisso?
Pensem nisto e vamos à luta, não são os enfermeiros que nos enfrentam mas sim os médicos das especialidades, farão eles o nosso trabalho? nem pensar, temem-nos; no caso do Tec de Radiologia é necessario que este profissional tenha conhecimento no ambito da patologia e sua diferenciação para realizar um exame com diagnóstico, sabe fisica, matematica,´... até electronica, é isso que os assusta. O tècnico do botão desde 84 que deixou de ter promoções embora ainda proliferem alguns por ai e no topo da carreira infelizmente, é desses que eles gostam porque não os enfrentam. Actualmente trabalho com duas técnicas assim ESPECIALISTA DE 1ª CLASSE os exames convencionais são realizados pelo sua "boniteza" não para o diagnostico, acompahados sempre das suas cabulas, exposimetria automatica avariada? encerra-se o serviço, o livro das cabulas foi mudado de sitio!!!! ai JESUS acuda é melhor o utente ir para Beja porque ele não colabora. è disto que os médicos radiologistas gostam técnicos de promoção, não com nivel académico superior , não somos doutores, nem eles são!, DOUTORES, são os que têm teses de Doutoramento.
Por esta razão e muitas mais é bom que lutemos por um curso que mantenha o seu nivel e seja 4+1, cada vez mais rico em materia porque
as Tecnologias são o futuro e a evolução não pára; a radiologia é a prova disso.
Aos colegas acabados de formar só uma coisa eu vos peço:
todos temos direito ao trabalho, todos queremos ganhar condignamente por isso não se "prostituem" no mercado privado é isso que os consultórios e clinicas querem, muito trabalho mas mal pago, informen-se com os colegas que já trabalham no privado e não se ofereçam por menos, tenham dignidade, doutra forma não vamos longe e não se esqueçam que se os Técnicos precisam de trabalho mas, também as clinicas precisam e cada vez mais de gente qualificada.
LUTEMOS TODOS JUNTOS
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Mensagempor Vítor Manteigas em Segunda, 12 Jun 2006 11:16

Entre bachareis e licenciados existe diferença sim! a licenciatura é uma mais valia, é um aprofundar dos conhecimentos adquiridos no exercicio profissional para quem já fez o bacharel há muito e para os da continuidade tambem reverte da mesma forma.

Eu não posso ver a licenciatura como um aprofundar dos conhecimentos. Para aprofundar conhecimentos, devemo-nos socorrer de formação complementar... formação contínua, nunca de uma licenciatura!

As licenciaturas nos cursos das tecnologias da saúde foi um dos maiores marcos, senão o maior, da história das nossas profissões.

Concordo plenamente. O que está em causa não são as licenciaturas, mas sim a sua duração. Recordo que actualmente, após 3 anos de curso, se pode e deve requerer a cédula profissional. Será que com as posições tomadas por alguns colegas, posso depreender que aos que têm apenas três anos de formação, não deva ser reconhecida a competência técnica para o desempenho de funções?? Lembrem-se que haverá colegas que nunca terão os 4 anos de formação.

A diferença entre um bacharel e um licenciado não se limita ao seu desempenho qualitativo, aí realmente poderá não haver grandes diferenças. Um licenciado adquire novas competencias que um bacharel não tem, isso faz com que assuma uma nova postura perante os outros profissionais de saúde.

Eu entendo como "novas competências" algo ao nível do saber saber e do saber fazer. Se ao nível do desempenho qualitativo nada muda (isto pareceu-me ser consensual), a que novas competências se refere?? Não me tenho socorrido da licenciatura para evidenciar o bom profissional que pretendo ser, nem tão pouco faço questão de ser apelidado de "Dr.", se é a isto que se refere.

Recordo que dentro da carreira de Diagnóstico e Terapêutica, temos áreas profissionais, cada uma com especificidades muito próprias e que por isso não devemos generalizar. Provavelmente haverá profissões que até deveriam ter um enquadramento legal específico, assim como níveis de formação diferentes (esta foi mázinha). :wink:

Proponho a realização de um estudo (credível) que suporte todas as afirmações que aqui têm sido veículas (incluindo as minhas). A isto se chama trabalhar com base na evidencia. :lol:

Nota: para os que não me conhecem, refiro apenas que esta atitude provocatória é uma das minhas imagens de marca. Há que agitar as águas e despertar consciências. :twisted:

Saudações ambientais,
Vítor Manteigas
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Vítor Manteigas
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Mensagempor Carolina G. em Segunda, 12 Jun 2006 16:01

A 12-6-2006 o Instituto Politécnico do Porto aparece como estando com a sua lista de cursos aprovados ao abrigo do Processo de Bolonha completo. A Escola Superior de Tecnologias da Saúde do Porto, que pertence a esta instituição não é mencionada.
Será que isto quer dizer que nenhum dos seus cursos foi aprovado?



Gostei da ideia anterior
Proponho a realização de um estudo (credível) que suporte todas as afirmações que aqui têm sido veículas


Mas como? Não será demasiado gigantesco? Poderíamos fazer uma votação por curso? Mas será que isso tem utilidade (para além de ficarmos a conhecer melhor o que pensamos neste pequeno grupo?)
Que mais??
Carolina G.
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