Os investigadores Champalimaud

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Os investigadores Champalimaud

Mensagempor Bruno Glória em Sábado, 02 Out 2010 10:48

Andam pela casa dos 30, são doutorados, trabalharam nos melhores laboratórios internacionais e agora coordenam grupos.

A Fundação Champalimaud lançou o seu programa de investigação em neurociências em meados de 2007. Ainda sem edifício próprio, que é inaugurado na terça- -feira, dia 5 de Outubro, no centenário da República, a fundação optou por estabelecer um acordo com o Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), para que as suas equipas pudessem começar ali a trabalhar. Graças a essa colaboração, os grupos estão instalados naquele instituto, em Oeiras, e em contrapartida 50% das verbas de funcionamento dos laboratórios do IGC são suportadas pela Fundação Champalimaud.

Nesta altura, os investigadores Champalimaud no IGC ascendem já a cerca de uma centena, integrados em 11 grupos de investigação. Cerca de metade de todos eles são portugueses. Na coordenação dos grupos, os portugueses ascendem por agora a quatro. São eles Carlos Ribeiro, Marta Moita, Rui Costa e Susana Lima. Apesar de jovens - andam todos na casa dos 30 - todos eles são doutorados e têm vários anos de experiência anterior de investigação em laboratórios internacionais.

Quando se mudarem para a sua casa definitiva, "na Primavera do próximo ano", como diz Rui Costa, já serão 14 grupos no programa de neurociências.

Na investigação clínica em oncologia destaca-se a médica e investigadora Fátima Cardoso, que vai dirigir a Unidade de Cancro da Mama do Champalimaud Center for the Unknown, a primeira a ficar operacional na área do cancro. A equipa está a ser montada, mas o trabalho com doentes começará em Novembro noutra unidade hospitalar. Os protocolos nesse sentido estão a ser ultimados.

[Conheça os investigadores nos artigos relacionados.]

por Filomena Naves
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A aprendizagem do medo e a cooperação entre indivíduos

Mensagempor Bruno Glória em Sábado, 02 Out 2010 10:49

Para Marta Moita foi como ficar em casa. Depois de terminar o doutoramento em Biologia Humana, no âmbito do Programa Gulbenkian de Doutoramento, na Universidade de Nova Iorque, regressou a Portugal para trabalhar em investigação básica, em Neurociências, no IGC. Era aí que estava, em 2007, quando transitou para o Programa Champalimaud. "Já coordenava um grupo no IGC", explica a investigadora de 37 anos que integrou a primeira leva de cientistas Champalimaud.

O seu grupo, que integra sete pessoas nesta altura, está centrado no estudo dos mecanismos de aprendizagem do medo e nos comportamentos de cooperação entre dois indivíduos. A ideia é perceber como estas coisas acontecem no cérebro.

Que zonas cerebrais estão implicadas? Que circuitos neuronais estão envolvidos nisso? Estas são algumas das perguntas no ponto de partida, a que muitas outras se associaram, à medida que o trabalho foi progredindo.

Os resultados não se fizeram esperar. Em Janeiro, o grupo publicou um artigo na revista científica PLoS One, demonstrando experimentalmente pela primeira vez que os ratos também têm capacidade cognitiva para tomar uma decisão em situação de dilema.

Já depois disso, o grupo conseguiu perceber que, na aprendizagem do medo, há duas vias cerebrais para a informação sobre um estímulo associado ao medo em direcção ao centro cerebral onde ele é processado. Agora levantam-se outras questões, que a equipa já está a investigar na bancada. "Tudo isto leva muito tempo para se fazerem bem as coisas", diz Marta Moita. Mas já há outro artigo na forja.

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A atracção sexual, a escolha do parceiro e os neurónios

Mensagempor Bruno Glória em Sábado, 02 Out 2010 10:49

Entre nós, humanos, chamamos-lhe amor à primeira vista, e falamos de beleza e de atracção. Mas como escolhemos os parceiros sexuais e como é que isso acontece a nível cerebral? Para responder a estas perguntas, Susana Lima decidiu investigar como isso acontece entre o Mickey e a Minnie. Ou seja, optou por usar ratos como modelo experimental.

"Sabemos que a maioria das espécies não faz esta selecção de forma aleatória. Pelo contrário, existe uma escolha. Para uma fêmea, por exemplo, um determinado macho é mais atraente do que outro. Nós estamos a tentar perceber quais são os mecanismos neuronais subjacentes à escolha do parceiro sexual", conta Susana Lima.

Uma investigação tão sexy como complexa. Diferentemente do que acontece nos seres humanos, para os quais os sinais mais importantes a este nível são os visuais, nos ratos, os preponderantes são os olfactivos. E, no processo de atracção, estes sinais olfactivos são transformados em sinais específicos no cérebro. "O objectivo é perceber este processo a nível neuronal", explica a jovem investigadora, de 34 anos, que chegou ao IGC como coordenadora de grupo no programa Champalimaud em 2008.

Nos últimos dois anos, a equipa dedicou-se a estabelecer os paradigmas experimentais, para poder fazer uma boa leitura dos resultados que obtiver nas experiências. Entre outras coisas, os investigadores querem poder prever, com base nos sinais cerebrais, qual será a escolha de parceiro de uma dada fêmea, perante um grupo de cinco machos. "Nos próximos anos esperamos ter resultados para publicar", diz a investigadora.

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Escolha alimentar é decidida nos circuitos cerebrais

Mensagempor Bruno Glória em Sábado, 02 Out 2010 10:50

Filho de pai português e de mãe espanhola, Carlos Ribeiro nasceu na Suíça, e foi o primeiro da família a chegar à universidade. Estudou biologia molecular, fez o doutoramento na área das neurociências e não parou mais. Estava no Molecular Pathology Institut, em Viena, na Áustria, a estudar o cérebro de mosquinhas-do-vinagre (Drosophila melanogaster) quando decidiu candidatar-se ao Programa de Neurociência Champalimaud. Foi aceite e coordena desde há um ano um dos seus grupos de investigação, no Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), onde os investigadores Champalimaud estão a trabalhar desde 2007.

"Não vim para Portugal por causa do país em si, vim para fazer boa ciência", explica ao DN o jovem investigador, que apesar do nome portuguesíssimo prefere conversar em inglês, língua na qual é mais fluente. A boa ciência de que Carlos Ribeiro fala já se materializou, em Maio, numa descoberta publicada na Current Biology. Em colaboração com Barry Dickson, do instituto de Viena, o seu grupo mostrou pela primeira vez que há um sensor nas células cerebrais que detecta o nível de proteínas no organismo, que está na base da escolha alimentar das moscas-do-vinagre.

Mas esta descoberta, que abre portas à compreensão sobre como outros seres vivos, incluindo o homem, fazem escolhas alimentares, é apenas o início do caminho. "Temos uma pergunta central: como é que o cérebro toma decisões e as transforma em comportamentos, considerando as necessidades alimentares do animal?". O animal é a Drosophila, um modelo muito bem caracterizado, e as perguntas transformam-se em experiências no laboratório.

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Lançar a investigação clínica do cancro

Mensagempor Bruno Glória em Sábado, 02 Out 2010 10:51

Fátima Cardoso tem 44 anos. Nos últimos dez esta médica fez investigação clínica e acompanhou doentes com cancro da mama, em Bruxelas, no Instituto Jules Bordet. Convidada por Leonor Beleza para dirigir a Unidade de Cancro da Mama do Centro, decidiu aceitar. "Quase não há investigação clínica em Portugal e eu pretendo fazer isso. Agora é possível", disse a clínica ao DN. O trabalho no Centro Champalimaud vai concentrar-se nas metástases (quando o cancro se espalha) e na sua neutralização.

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Três artigos com impacto mediático já publicados

Mensagempor Bruno Glória em Sábado, 02 Out 2010 10:51

Rui Costa é talvez o neurocientista português do programa Champalimaud mais conhecido do público. Desde que coordena um dos grupos no IGC já publicou três artigos científicos em revistas de topo mundial, e com impacto mediático, e no ano passado ganhou um dos prémios internacionais de investigação científica mais avultados. Uma bolsa do European Research Council, no valor 1,6 milhões de euros, que se destina à concretização do próprio trabalho.

Em 2009, além de ter ganho a bolsa, foi notícia por ter publicado dois artigos, um na Science e outro na Nature Neuroscience. No primeiro conseguiu demonstrar que o stress crónico afecta as zonas do cérebro ligadas à acção por objectivos. Ou seja, os stressados entram em piloto automático e fazem coisas desadaptadas da realidade. No segundo, mostrou que existem dois caminhos cerebrais diferentes para as acções voluntárias e as automatizadas.

Já este ano, a sua equipa publicou na Nature a descoberta de um tipo de neurónios que assinala o princípio e o fim de uma acção aprendida. Estas células estão afectadas em doentes de Parkinson e por isso há implicações importantes para as doenças neurodegenerativas neste trabalho.

Rui Costa lidera 14 pessoas e, em conjunto, desenvolvem dez projectos, todos focados nos mecanismos cerebrais da tomada de decisão.

Os segredos cerebrais da tomada de decisões são, aliás, o grande tema-chapéu da investigação de todos os grupos. "Trabalhamos com todos os modelos: mosca, vermes, peixes, rato-murganho, ratazana e até humanos, em estudos muito específicos", explica Rui Costa.

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